Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

Qual é o tipo de planeta mais comum na Via Láctea?

Qual é o tipo de planeta mais comum na Via Láctea?

Ao longo da última década, cientistas acreditavam ter uma resposta sólida para essa pergunta. Em sistemas parecidos com o do Sol, predominariam dois tipos de planetas: os sub-Netunos, com espessas camadas gasosas, e as super-Terras, rochosas e até 10 vezes mais massivas que o nosso planeta. Esses mundos foram encontrados com frequência ao redor de várias estrelas, reforçando a ideia de que seriam comuns em toda a Via Láctea.

No entanto, um novo estudo da Universidade McMaster, no Canadá, questiona essa visão. Isso porque as pesquisas anteriores focavam em estrelas semelhantes ao Sol, que são minoria na galáxia. 

A maior parte das estrelas é formada por anãs vermelhas, também chamadas de anãs M, menores, mais frias e menos brilhantes. Por muito tempo, a baixa luminosidade desses astros dificultou observações detalhadas.

Esse cenário mudou com o Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito (TESS). O “caçador de mundos alienígenas” da NASA mapeia diferentes regiões do céu a cada 28 dias, completando um levantamento amplo em cerca de dois anos. Com esses dados, os responsáveis pela nova pesquisa analisaram diretamente quais tipos de planetas orbitam as anãs M.

Descritos em um artigo recém-publicado no periódico The Astronomical Journal, os resultados revelaram uma surpresa importante. Em anãs vermelhas de estágio intermediário a tardio, os sub-Netunos praticamente desaparecem. Em vez disso, predominam as super-Terras. Ou seja, os planetas ricos em gás, comuns ao redor de estrelas como o Sol, são raros nesses sistemas menores e mais frios.

Uma explicação tradicional para a diferença entre esses planetas é a fotoevaporação. Nesse processo, a radiação intensa de estrelas jovens remove a atmosfera de planetas gasosos, deixando apenas um núcleo rochoso. Como as anãs M são bastante ativas em sua juventude, seria esperado que esse mecanismo fosse frequente. Ainda assim, ele não explica totalmente a ausência quase completa dos sub-Netunos.

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