Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de fevereiro de 2024 · 2 min de leitura ·

Queijos franceses vão deixar de existir?

Queijos franceses vão deixar de existir?

O mundo pode estar muito perto de ver dois queijos, considerados patrimônios culturais e culinários da França, deixarem de existir. De acordo com pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Científica do país (CNRS), o camembert e o roquefort podem estar com os dias contados.

Atualmente, a França possui 246 variedades de queijo, e os cientistas estão trabalhando para que esse número não caia. Tanto no caso do camembert quanto do roquefort, o problema está relacionado aos microrganismos com os quais eles são produzidos.

No caso do camembert, a produção envolve um fungo microscópico durante o processo de maturação, e onde quer que ele seja produzido será sempre utilizado a mesma cepa do Penicillium camemberti.

Segundo os pesquisadores do CNRS, em resposta à Rádio França Internacional, essa cepa de fungos foi selecionada em 1898 para a produção de queijo brie, e posteriormente para o camembert, em 1902. Durante muito tempo, o camembert não era exatamente bom e podia ter mofo cinza, verde ou laranja em sua superfície, sem apresentar um padrão específico. Para aumentar as vendas, na década de 1950, os produtores decidiram apostar tudo em uma cepa albina desse fungo, que foi responsável pela coloração branca do queijo.

A Denominação de Origem Controlada (AOC), que protege e garante o nome e o processo de produção do camembert em toda União Europeia, também restringe a utilização do P. camemberti albino para a produção do queijo.

O grande problema é que, ao longo dos anos, o fungo acabou passando por mutações naturais e, sem a recombinação genética com outras cepas, acabou tendo sua linhagem degenerada e se tornou praticamente infértil. Atualmente, os produtores de queijo têm encontrado dificuldade em produzir uma quantidade suficiente do fungo.

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