
Para não fazer sexo com parceiros indesejáveis, a rã-comum (Rana temporaria) tem uma tática bastante curiosa: segundo um estudo publicado na quarta-feira (11) na revista Royal Society Open Science, ela, simplesmente, se finge de morta.
E esse “truque” foi descoberto por acaso pela equipe de pesquisadores liderada pela cientista Carolin Dittritch, pós-doutora do Instituto de Etologia Konrad Lorenz, de Viena, na Áustria, que analisava o processo reprodutivo desses animais.
Denominado tanatose, o ato de imobilidade tônica é uma ação adaptada de enganação que alguns bichos costumam empregar na presença de um predador. O uso desse recurso relacionado ao acasalamento só foi observado em um outro anfíbio além da rã-comum: a salamandra-de-costelas-salientes (Pleurodeles waltl).
Durante as intensas, ferozes e frenéticas sessões de acasalamento em grupo conhecidas como reprodução explosiva, os sapos machos assediam, intimidam e tentam dominar fisicamente as fêmeas, geralmente enquanto estão na água, o que pode levar à morte de um deles ou de ambos. Mas, se a pretendente já estiver “morta”, não tem por que os caras desperdiçarem energia nela… e ponto para as meninas!
“Observamos três comportamentos evasivos femininos: rotação, chamadas de liberação e imobilidade tônica”, relatam os autores do estudo. “Definimos ‘rotação’ como uma fêmea que começa a girar em torno de seu próprio eixo corporal quando é surpreendida por um macho, que tenta neutralizar a rotação com suas patas traseiras”. Esse é o recurso utilizado pela maioria.
Em relação a chamadas de liberação feitas pelas fêmeas, os cientistas detectaram dois tipos: um grunhido e um guincho – o que representa um “pedido de socorro” para se livrar da importunação.
Entre para comentar.