Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 20 de fevereiro de 2025 · 2 min de leitura ·

Ratos podem falar? Cientistas testam gene “humano” em roedores

Ratos podem falar? Cientistas testam gene "humano" em roedores

Pesquisadores propõe que o gene conhecido como NOVA1 seja um dos causadores da linguagem humana. Embora todos os mamíferos tenham a mesma versão dele em seu código genético, a alteração única de um aminoácido é observada na variante dos Homo sapiens. Para testar a hipótese, uma equipe gerou artificialmente o gene único em ratos e viu resultados surpreendentes.

A alteração vista no caso dos humanos pode ter desempenhado um papel crítico na origem da linguagem falada. Nem mesmo os neandertais e os denisovanos tinham a mesma variante, o que significa que ela deve ter surgido nas últimas centenas de milhares de anos depois da separação do sapiens dos outros hominídeos, segundo explicam pesquisadores da Universidade Rockefeller e do Laboratório Cold Spring Harbor, em Nova York.

Há outros “genes da linguagem” propostos, como o FOXP2, encontrado nos ancestrais da humanidade. Embora provavelmente tenham contribuído para as origens da comunicação humana, podem não ser o principal responsável pelo sucesso evolutivo da fala.

Em mais de 650 mil sequências de DNA humano, os pesquisadores encontraram apenas seis pessoas anônimas que não detinham a variante do NOVA1. Nada se sabe sobre esses indivíduos.

Para o geneticista Wolfgang Enard, o NOVA1 é o “novo garoto do bairro” quando se trata das origens da linguagem complexa. Ele trabalhou no FOXP2 e explicou a Carl Zimmer, do New York Times, a popularidade do famoso trecho de DNA.

“Este gene faz parte de uma mudança evolutiva abrangente nos primeiros humanos modernos e sugere potenciais origens antigas da linguagem falada”, diz o neuro-oncologista Robert Darnell, da Universidade Rockefeller, que estuda o gene e as suas ligações a doenças e à função intelectual desde o início dos anos 1990.

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