Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Reator de fusão nuclear na China atinge temperatura de 120 milhões de graus Celsius por mais de 15 minutos

Reator de fusão nuclear na China atinge temperatura de 120 milhões de graus Celsius por mais de 15 minutos

Cientistas da China conseguiram levar um reator experimental de fusão à temperatura de 120 milhões de graus Celsius (120.000.000 ºC), estabelecendo um novo recorde na busca por dominar a fusão nuclear e posicioná-la como fonte renovável de energia. 

Esse tipo de experimento tem uma premissa bastante simplista: imitar as reações no interior do Sol, que usa a fusão para produzir luz e calor. Por fusão, entende uma vibração de átomos tão intensa que faz com que seus núcleos se fundam. No Sol, isso é feito com hidrogênio, que dá origem ao hélio, que é mais leve que seus átomos progenitores – essa diferença de massa vira energia térmica, liberada pela estrela no espaço.

Esse processo vem sendo estudado por cientistas há décadas, que almejam repetí-lo em estruturas conhecidas como “tokamak”. No caso do experimento chinês, ao invés de hidrogênio, os cientistas apostaram em átomos de trítio e deutério, aquecendo-os a temperaturas extremas até seus pontos de fusão (algo próximo de 150 milhões de graus).

Atingir o número é relativamente fácil. O problema é que, para uma estrutura produzir energia com base na fusão de forma contínua, reações do tipo devem ser auto sustentadas – ou seja, o volume de energia gasto deve ser menor do que o produzido, para que o processo se mantenha sozinho, sem interrupção, e o excedente seja aproveitado. Isso acontece no Sol, mas imitar isso na Terra já é bem mais difícil.

Apesar das dificuldades, os cientistas anunciaram que, pouco a pouco, estão chegando neste objetivo: a reação obtida pela China permitiu aos cientistas manterem 120 milhões de graus Celsius por mais de 15 minutos (especificamente, 1056 segundos).

A aposta parece ter dado certo, permitindo à China superar o próprio recorde: os mesmos 120 milhões de graus Celsius, mantidos por 101 segundos, no começo de 2021.

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