Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

Relógios ópticos podem mudar como o tempo é medido no mundo

Relógios ópticos podem mudar como o tempo é medido no mundo

Pesquisadores de seis países deram um passo importante rumo à redefinição do segundo, uma meta internacional que pode se concretizar ainda nesta década. O avanço foi descrito em um estudo recente que detalha a maior comparação coordenada já realizada entre relógios ópticos, instrumentos de medição extremamente precisos, considerados até 100 vezes mais exatos que os relógios de césio, usados atualmente como padrão global.

A pesquisa envolveu a análise simultânea de dez relógios ópticos ao longo de 45 dias. O objetivo foi reduzir as incertezas nas medições anteriores e aproximar esses dispositivos da adoção como novo padrão para escalas internacionais de tempo. Com isso, os cientistas acreditam que estamos mais perto de uma transformação significativa na forma como medimos o tempo — com impactos que vão da meteorologia até estudos sobre a física fundamental do universo.

O experimento foi conduzido no âmbito do projeto europeu ROCIT e contou com a participação de cientistas da Finlândia, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Japão. Para a comparação, os pesquisadores utilizaram uma combinação de cabos de fibra óptica e conexões via satélite. Este é um diferencial importante em relação a estudos anteriores, que se limitavam às conexões satelitais.

“Comparar múltiplos relógios ao mesmo tempo e com mais de uma tecnologia de enlace fornece muito mais informações do que as comparações em pares realizadas até agora”, explicou Thomas Lindvall, cientista sênior do centro de metrologia VTT MIKES, ao Popular Science.

A infraestrutura usada conectou diferentes laboratórios ao longo de milhares de quilômetros na Europa. Ao todo, foram obtidas 38 razões de frequência simultâneas, sendo quatro delas inéditas. As demais foram medidas com um nível de precisão superior ao alcançado até então, conforme destacaram os pesquisadores.

“Essas medições trazem informações essenciais sobre o que ainda precisa ser feito para que os relógios ópticos atinjam a confiabilidade necessária para o uso em escalas internacionais de tempo”, afirmou Marco Pizzocaro, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa Metrológica da Itália (INRiM).

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