Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de junho de 2023 · 2 min de leitura ·

Resíduo de sangue em armas de 13 mil anos traz revelações da última Era do Gelo

Resíduo de sangue em armas de 13 mil anos traz revelações da última Era do Gelo

Arqueólogos encontraram o que aparenta ser resíduos de sangue de 13 mil anos de grandes mamíferos, provavelmente mamutes e mastodontes, em 120 pedras afiadas usadas pelo antigo povo Clóvis – uma cultura americana pré-histórica que viveu na fase final da última Era do Gelo.

“Esta é a primeira evidência direta da caça e esquartejamento desses animais no leste dos EUA”, disse Christopher R. Moore, professor pesquisador da Universidade da Carolina do Sul e principal autor do artigo que detalha a descoberta, publicado este mês na revista Nature Scientific Reports. 

Se confirmados, esses resultados trazem nova luz sobre o que pode ter causado a extinção de herbívoros gigantes da Era do Gelo, uma questão que está assumindo maior importância à medida que os humanos enfrentam taxas crescentes de extinção entre muitos dos animais com quem compartilhamos o planeta. 

Alguns especialistas afirmam que os primeiros humanos da América caçavam mamutes e mastodontes à beira da extinção. Outros citam mudanças ambientais, um impacto de asteroide ou fragmento de cometa, ou, ainda, alguma combinação de fatores como as razões mais prováveis pelas quais aquelas espécies desapareceram da paisagem.

“Na África, [os grandes mamíferos] estão sendo rapidamente erradicados da maioria das áreas pela caça ilegal e perda de habitat”, disse Moore. “Essas extinções terão efeitos profundos e permanentes no ecossistema do continente, removendo os grandes herbívoros. A mesma transformação do ecossistema aconteceu na América do Norte há 13 mil anos”.

Há quem conteste essa teoria, alegando ser improvável que o resíduo de sangue tenha sobrevivido a milhares de anos sem ser contaminado.

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