
Uma sepultura com dois esqueletos abraçados sobre os restos mortais de um cavalo é motivo de discussões entre pesquisadores há duas décadas. O local foi descoberto em 2004 por arqueólogos que escavavam um antigo cemitério oriental da cidade romana de Ovilava, onde atualmente fica o município de Wels, na Áustria. Após análises, um novo estudo pode ter acabado com o mistério.
De acordo com os pesquisadores, a datação por radiocarbono dos esqueletos humanos e do cavalo confirmou que eles datam da era romana. Os romanos não tinham o costume de serem enterrados com cavalos, mas é possível que o povo da região seguisse práticas celtas tradicionais de enterrar indivíduos com equinos.
Além disso, análises confirmaram que não se trata de um casal, e sim de duas mulheres que eram parentes de primeiro grau. A diferença de idade de 15 a 25 anos sugere que elas fossem mãe e filha. Já a origem do cavalo continua sendo um mistério para os cientistas.
Ainda segundo o estudo, o esqueleto da mulher mais velha mostrava sinais de cavalgadas frequentes. A causa da morte das duas ainda é desconhecida, mas há indícios de que a filha poderia ter sofrido de espinha bífida (um defeito de nascimento da coluna vertebral), enquanto a mãe teria sofrido de osteoartrite (um tipo de artrite que ocorre quando o tecido flexível nas extremidades dos ossos se desgasta).
O cavalo, por sua vez, parecia estar em boa saúde quando morreu, aos oito ou nove anos de idade. Mesmo com as descobertas, as causas das mortes não puderam ser confirmadas.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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