Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 25 de fevereiro de 2025 · 2 min de leitura ·

“Ritual da cabeça pregada”: prática da Idade do Ferro era mais complexa do que se pensava

“Ritual da cabeça pregada”: prática da Idade do Ferro era mais complexa do que se pensava

Os povos pré-históricos na Espanha cortavam as cabeças dos mortos e cravaram pregos gigantes nos seus crânios por diferentes razões. Os motivos mais prováveis, segundo uma equipe de pesquisadores de Barcelona, eram de que esses grupos ancestrais faziam isso para celebrar antepassados e para intimidar seus inimigos.

Em um novo estudo, cientistas examinaram sete crânios decepados de dois sítios arqueológicos na costa sudeste da Península Ibérica. O objetivo é identificar a origem das pessoas decapitadas.

“Nossa premissa ao abordar o estudo foi que se fossem troféus de guerra não viriam dos locais analisados, enquanto se fossem indivíduos venerados, provavelmente seriam locais”, disse Rubén de la Fuente-Seoane, arqueólogo da Universidade Autônoma de Barcelona e primeiro autor do estudo, em comunicado.

Na pesquisa, publicada no Journal of Archeological Science: Reports, o grupo usou um método chamado análise de isótopos de estrôncio. A técnica permitiu identificar quais das sete pessoas eram locais e quais indivíduos vinham de outros lugares. 

Esse processo ajuda a revelar a origem dos sujeitos porque o elemento estrôncio penetra nos ossos e dentes durante o crescimento e desenvolvimento. A partir da análise do material, é possível ver a geografia da dieta de uma pessoa.

Após esse exame dos fósseis, os pesquisadores descobriram que três em cada quatro cabeças decepadas no sítio de Puig Castellar vieram de pessoas não locais. Enquanto isso, apenas um dos três crânios no sítio Ullastret veio de uma pessoa não local.

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