
Pesquisadores identificaram em Marte evidências geológicas que remontam a mais de 3,9 bilhões de anos, preservadas em rochas localizadas nos arredores da Cratera Jezero. A descoberta foi feita pelo rover Perseverance, da NASA, e pode ajudar os cientistas a compreender um período da história do Sistema Solar que praticamente desapareceu da Terra devido à ação da tectônica de placas e da erosão.
As rochas analisadas foram encontradas na borda da Cratera Jezero, região que já despertava o interesse da comunidade científica por apresentar indícios de que abrigou um lago no passado. Segundo o estudo, no entanto, essas formações são ainda mais antigas do que a própria cratera, tornando-se o terreno mais antigo já investigado por um rover em Marte.
A estrutura estudada é conhecida como membro Broom Point. Ela consiste em uma sequência de aproximadamente 75 metros de espessura, formada por diversas camadas de rochas acumuladas ao longo de um extenso período.
De acordo com os pesquisadores, essas camadas não surgiram em um único evento geológico. Elas foram construídas gradualmente a partir de detritos gerados por sucessivos impactos de asteroides durante um dos períodos mais violentos da história do Sistema Solar.
“Desde que deixou a cratera, o Perseverance vem explorando uma fronteira totalmente nova, tanto geográfica quanto geologicamente — um capítulo do tempo marciano que antecede a própria cratera”, afirmou, ao Earth.com, Ken Farley, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), em Pasadena (EUA).
O pesquisador destacou que Marte preservou registros que desapareceram da Terra. “Na Terra, nossa história geológica mais antiga foi fundamentalmente fragmentada, deformada e apagada pela tectônica de placas. Como Marte não possui tectônica de placas para reciclar sua crosta, esse registro antigo permanece intacto, oferecendo-nos um raro vislumbre de um período geológico que não existe em nosso próprio planeta.”
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