
Enquanto os resgates a pessoas ilhadas continuam a todo vapor no Rio Grande do Sul, a esperança das autoridades e da população é que a água comece, enfim, a baixar. No entanto, o nível do lago Guaíba, em Porto Alegre, pode se manter acima dos 5 metros nos próximos dias (lembrando que a cota de inundação da cidade é de 3 metros). Mas por que a inundação não cede na região?
Especialistas explicam que as fortes e constantes chuvas que duraram quase 10 dias no estado causaram uma elevação dramática no nível dos principais rios gaúchos. E toda essa água desceu em direção ao Guaíba, causando inundações históricas em Porto Alegre e na região metropolitana.
Além da quantidade histórica de chuva, o relevo da capital gaúcha é um fator fundamental para entender o atual cenário. A cidade fica localizada em uma planície, um território plano, o que facilita ocorrências de inundação. A capital é circundada de um lado por 40 morros, e limitada de outro pela orla do Guaíba.
Os rios que formam o Delta do Jacuí e originam o Guaíba fluem em alta velocidade por causa da altitude de seus cursos. Em condições normais, isso ajuda que a água siga seu fluxo em direção a Lagoa dos Patos e de lá para o Oceano Atlântico.
O problema é que os rios do Delta do Jacuí e o Oceano Atlântico também estão sendo afetados pelas fortes chuvas e tempestades de ventos que atingem o Rio Grande do Sul, o que dificulta o escoamento da água.
Os ventos fortes formam marés de tempestade. Isso faz o mar ‘crescer’, subindo o nível em até 2 metros a depender da configuração da praia. No caso do que acontece aqui no Rio Grande do Sul, o mar fica mais alto do que o nível de escoamento da Lagoa dos Patos, impedindo que o excesso de água seja despejado no mar.
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