Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Satélites espiões dos EUA emitem sinais fora do padrão e geram alerta internacional

Satélites espiões dos EUA emitem sinais fora do padrão e geram alerta internacional

Os satélites espiões construídos pela SpaceX para o Escritório Nacional de Reconhecimento dos Estados Unidos (NRO) passaram a emitir sinais na direção oposta ao previsto, segundo a descoberta do pesquisador Scott Tilley, no Canadá.

A constelação, chamada Starshield, conta com quase 200 unidades e foi projetada para ampliar significativamente as capacidades de vigilância do governo norte-americano. No entanto, a atividade inesperada reacendeu debates sobre interferência, regulamentação internacional e o uso de espectro radioelétrico por sistemas militares. As informações são do ArsTechnica.

Os sinais identificados são transmitidos da órbita para a Terra utilizando a faixa de 2025 a 2110 MHz – tradicionalmente reservada para comunicações Terra-espaço e espaço-espaço. Apesar de não haver relatos oficiais de interferência, a operação fora do padrão gerou preocupação entre especialistas, que apontam para falhas de coordenação e ausência de transparência por parte das autoridades responsáveis.

A detecção ocorreu no final de setembro, quando Tilley, um engenheiro tecnólogo e astrônomo amador, observou emissões inesperadas enquanto trabalhava em outro projeto. Ele identificou sinais provenientes de 170 satélites sobre Canadá, Estados Unidos e México – número que posteriormente subiu para 171. Por se tratar de uma constelação global, a emissão pode atingir outras regiões.

Segundo o pesquisador, o uso incorreto da banda pode interferir em sistemas sensíveis que operam nela, incluindo equipamentos da NASA, da NOAA e transmissões terrestres utilizadas por emissoras de TV. Os sinais dos satélites espiões apresentam largura de até 9 MHz e razão sinal-ruído entre 10 e 20 decibéis, intensidade suficiente para ser captada até mesmo por pequenas estações terrestres.

Além disso, algumas emissões mudam de frequência de um dia para o outro, o que sugere operações avançadas e ainda não esclarecidas. Embora as transmissões possam estar formalmente aprovadas dentro dos EUA em decisões internas da NTIA, especialistas afirmam que isso não substitui a necessidade de coordenação com outros países, especialmente considerando o porte da constelação e seu impacto global.

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