
Quando a sonda Juno da NASA começou a orbitar Júpiter em 2016, os cientistas já sabiam que o planeta gigante abrigava tempestades colossais. O que não imaginavam é que os raios gerados por elas também fossem extraordinários — e não apenas pelo tamanho. Um estudo liderado por Michael Wong, da Universidade da Califórnia, Berkeley, acaba de revelar que algumas descargas elétricas em Júpiter podem ser de 100 a 10 mil vezes mais potentes do que os raios mais intensos já registrados na Terra.
A pesquisa, publicada na revista AGU Advances, utilizou o radiômetro de micro-ondas a bordo da Juno para medir diretamente a energia liberada pelos raios, contornando um problema antigo. Missões anteriores só conseguiam detectar os clarões ópticos mais fortes no lado noturno do planeta, o que levou à impressão de que todos os raios em Júpiter eram superpotentes. Uma câmera de alta sensibilidade a bordo da Juno, no entanto, encontrou também raios mais fracos, semelhantes aos terrestres, deixando a questão em aberto.
O radiômetro de micro-ondas ofereceu uma solução: as micro-ondas atravessam as nuvens sem serem bloqueadas, permitindo medições precisas da potência dos raios independentemente da cobertura de nuvens. Mas havia um problema técnico: as tempestades em Júpiter costumam ocorrer em faixas inteiras ao redor do planeta, tornando impossível saber qual tempestade específica estava gerando os pulsos de micro-ondas detectados.
A sorte bateu à porta em 2021 e 2022, quando uma calmaria inédita ocorreu na Faixa Equatorial Norte do planeta. Durante esse período, apenas uma grande tempestade por vez se formava, permitindo que Wong e sua equipe localizassem cada uma com precisão usando imagens do Telescópio Espacial Hubble, da câmera da Juno e de astrônomos amadores.
Eles as batizaram de “supertempestades furtivas”. Embora persistissem por meses e transformassem a estrutura de nuvens ao redor — como uma verdadeira supertempestade — suas torres de nuvens atingiam apenas alturas modestas, semelhantes às de tempestades pequenas.
“Como tínhamos a localização precisa, pudemos simplesmente dizer: ‘OK, sabemos onde está. Estamos medindo a potência diretamente'”, contou Wong em comunicado.
Entre para comentar.