Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

Sexo em ornitorrincos é definido por gene raro, diz pesquisa

Sexo em ornitorrincos é definido por gene raro, diz pesquisa

Habitantes dos pequenos rios e vastos desertos da Austrália, dois animais intrigam pesquisadores: os ornitorrincos e as equidnas — os únicos mamíferos que botam ovos. Cientistas passaram décadas tentando entender seu organismo, como reproduzem, o que comem e por que são tão diferentes.

Dentre essas diversas peculiaridades, a comunidade cientifica descobriu também que esses pequenos seres não usam o mesmo conjunto de ferramentas genéticas que os outros mamíferos para desenvolver embriões masculinos e femininos. Como eles fazem isso? Por anos foi um mistério.

Agora, uma nova pesquisa publicada na revista Genome Biology revelou evidências da resposta. O estudo demonstra que o sexo dos monotremados (como são conhecidos os mamíferos que põem ovos) se resume a um único gene e é mais parecido com o que vemos nos peixes e anfíbios.

O vasto grupo dos mamíferos, que compreende desde humanos até baleias, tem dois cromossomos para determinar o sexo: X e Y. Caso o embrião apresente um par XY, ele será masculino, e se tiver uma dupla XX, será classificado como feminino.

Nos machos, esse processo é desencadeado pelo gene SRY, que atua no cromossomo Y — herdado pelo pai. Esse gene leva à produção de uma proteína que desencadeia uma série de eventos que resultam no desenvolvimento de testículos.

Esse sistema seria tão bom que funcionaria em todos os mamíferos. Mas, na Austrália, sempre há exceções para as regras do mundo. O gene SRY nunca foi encontrado em monotremados, o que deixava uma dúvida sobre a definição do sexo em ornitorrincos e nas equidnas.

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