Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de fevereiro de 2024 · 2 min de leitura ·

Sinais de rádio revelam novos dados sobre objetos cósmicos misteriosos

Sinais de rádio revelam novos dados sobre objetos cósmicos misteriosos

Em 2023, o Telescópio Espacial James Webb encontrou objetos gasosos muito estranhos, com massa planetária e que estão sempre em dupla, flutuando na nebulosa de Orion. Conhecidos como objetos binários da massa de Júpiter (JuMBOs), eles desafiam o que sabemos sobre a formação de estrelas e planetas. Agora, uma nova pesquisa pode ter deixado tudo ainda mais confuso.

Os JuMBOs foram inicialmente identificados pelo conselheiro científico sênior da Agência Espacial Europeia (ESA), Mark McCaughrean, na nebulosa de Orion, a cerca de 1350 anos-luz de distância da Terra. Agora, no novo estudo publicado no The Astrophysical Journal Letters, um grupo de pesquisadores usou dados coletados pelo Karl G. Jansky Very Large Array (VLA), no Observatório Nacional de Radioastronomia da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, para observar sinais de rádio vindos da região.

As novas observações revelaram que entre os 42 pares de JuMBOs descobertos, apenas um foi visto emitindo ondas de rádio, e os pesquisadores não sabem o que está produzindo as emissões.

O sinal de rádio foi detectado no JuMBO 24, no qual ambos os objetos que o compõem possuem cerca de 11 vezes a massa de Júpiter, sendo o maior desses corpos detectado pelo James Webb. Os outros têm, no geral, entre 3 a 8 massas jovianas. As emissões são mais fortes do que as de anãs marrons, que têm entre 15 e 75 massas de Júpiter, mas nas estrelas fracassadas existem mecanismos que explicam as ondas de rádio.

Os pesquisadores acreditam que as estrelas massivas geralmente preferem vidas binárias, e aquelas com menos massas geralmente preferem estar sozinhas. Na verdade, cerca de 75% das estrelas massivas são binárias. Entre aquelas com massa parecida com a do Sol, essa taxa cai para 50%, e em estrelas menores é de 25%. 

Nas anãs marrons, a probabilidade de existirem objetos binários é praticamente zero, assim, os JuMBOs, sendo menos massivos que estrelas fracassadas, não deveriam existir de forma binária caso se formem como estrelas. A não ser que a frequência de corpos estelares binários aumente em objetos com massa inferior às anãs marrons, o que desafia o que sabemos sobre a formação estelar.

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