Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Sistema solar “invertido” vizinho ao nosso desafia a Ciência

Sistema solar “invertido” vizinho ao nosso desafia a Ciência

Astrônomos descobriram um sistema planetário incomum ao redor de uma estrela que fica a cerca de 116 anos-luz da Terra. O conjunto desafia o padrão mais conhecido de formação de planetas, ao apresentar uma ordem considerada “invertida”. O achado foi publicado na revista Science nesta quinta-feira (12).

A estrela LHS 1903 é uma anã vermelha fria, menor e menos luminosa que o Sol, que abriga quatro planetas em órbita. Para identificá-los, os pesquisadores combinaram dados de telescópios instalados na Terra e no espaço. A princípio, o sistema parecia seguir o padrão mais comum observado na Via Láctea.

Nos modelos tradicionais, os planetas mais próximos da estrela tendem a ser rochosos, enquanto os mais distantes costumam ser gigantes gasosos. No caso de LHS 1903, os três mundos internos pareciam obedecer a essa lógica: o primeiro seria rochoso e os dois seguintes, compostos principalmente por gases.

A surpresa surgiu ao analisar o quarto planeta, o mais afastado da estrela. Com ajuda do satélite CHEOPS, da Agência Espacial Europeia (ESA), os cientistas concluíram que ele é pequeno e denso. As evidências indicam que se trata de um planeta rochoso, possivelmente semelhante a Vênus em composição.

Isso resulta em uma sequência incomum (rochoso, gasoso, gasoso e novamente rochoso), que contraria o padrão mais observado em sistemas planetários. Segundo Thomas Wilson, professor de Física e pesquisador em exoplanetas da Universidade de Warwick, no Reino Unido, “essa estranha desordem faz dele um sistema único, invertido. Em um comunicado, ele explica que “planetas rochosos geralmente não se formam muito longe de sua estrela hospedeira, na parte externa dos mundos gasosos”.

No Sistema Solar, por exemplo, os planetas sólidos – como Terra e Marte – estão nas regiões internas, enquanto gigantes como Júpiter e Saturno ficam mais distantes. A explicação mais aceita é que, perto da estrela, a radiação intensa remove gases leves, restando núcleos rochosos. Já nas áreas externas, temperaturas mais baixas permitem a formação de grandes atmosferas gasosas.

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