Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Sistema Solar pode se deslocar pelo espaço três vezes mais rápido que o previsto

Sistema Solar pode se deslocar pelo espaço três vezes mais rápido que o previsto

Um estudo publicado este mês na revista Physical Review Letters sugere que o Sistema Solar pode estar viajando pelo espaço a uma velocidade mais de três vezes superior à esperada. 

A conclusão vem de uma equipe internacional de cientistas que analisou mapas de radiogaláxias obtidos com o radiotelescópio LOFAR (sigla em inglês para “Matriz de Baixa Frequência, uma rede de antenas distribuídas pela Europa) e outros dois instrumentos. 

Ao medir como essas galáxias emissoras de rádio se distribuem no céu, os pesquisadores detectaram um padrão que sugere um “empurrão” direcional mais intenso do que o previsto pelo modelo padrão da cosmologia – o principal referencial para explicar a composição e a evolução do Universo.

Radiogaláxias são galáxias que brilham intensamente no rádio, com enormes “lóbulos” de emissão que se estendem além da região visível das estrelas. Por emitirem em comprimentos de onda longos, suas ondas de rádio atravessam nuvens de gás e poeira que frequentemente bloqueiam outras formas de luz. Isso as torna excelentes marcadores para estudos do céu profundo.

Ao contar quantas radiogaláxias aparecem em diferentes direções, os cientistas esperam detectar um leve desequilíbrio (conhecido como anisotropia) causado pelo nosso próprio movimento pelo espaço. Em termos simples, na direção para onde nos deslocamos, deveríamos ver um pouquinho mais de fontes; no lado oposto, um pouco menos. Essa diferença é minúscula e só aparece com instrumentos extremamente sensíveis e catálogos muito amplos, como os do LOFAR.

No novo estudo, a equipe encontrou uma anisotropia mais intensa do que a calculada por modelos cosmológicos atuais. “Nossa análise mostra que o Sistema Solar está se movendo mais de três vezes mais rápido do que os modelos atuais preveem”, declarou o líder do estudo, Lukas Böhme, da Universidade de Bielefeld, na Alemanha, em um comunicado. “Este resultado contradiz claramente as expectativas baseadas na cosmologia padrão e nos obriga a reconsiderar nossas suposições anteriores.”

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