Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de julho de 2026 · 3 min de leitura ·

Skylab: o dia em que uma estação espacial despencou dos céus

Skylab: o dia em que uma estação espacial despencou dos céus

Se você já se preocupou com a queda de algum satélite ou foguete, imagine o pânico coletivo que tomou conta do planeta em julho de 1979, com a iminente reentrada da Skylab, a primeira estação espacial dos Estados Unidos, com 77 toneladas. Durante semanas, jornais e TVs atualizavam diariamente as previsões sobre onde seus destroços poderiam cair. No final, ninguém se feriu, mas o episódio marcou a história da exploração espacial e mostrou que colocar grandes estruturas em órbita também exige planejamento para trazê-las de volta com segurança.

A Skylab nasceu logo após o programa Apollo. Em vez de construir uma estação do zero, a NASA aproveitou o terceiro estágio do foguete Saturno V, transformando o gigantesco tubo de alumínio em um grande laboratório orbital, lançado em maio de 1973. Logo após chegar ao espaço, perdeu seu escudo térmico e um painel solar, enquanto outro ficou preso. A estação quase foi perdida, mas a primeira tripulação conseguiu fazer umas gambiarras em órbita, permitindo à Skylab receber outras duas missões tripuladas entre 1973 e 1974.

Essas missões produziram importantes avanços científicos. Os astronautas estudaram o Sol, observaram a Terra, realizaram experimentos em física e medicina espacial e estabeleceram novos recordes de permanência em órbita. Os 6,60 m de diâmetro do terceiro estágio do Saturno V conferiam ao módulo central Skylab o maior espaço interno da categoria, com 270 m³ – espaço suficiente para os astronautas realizarem experimentos, fazerem exercícios, tomarem banho, dormirem, correrem aleatoriamente em todas as direções e até mesmo testar um traje de voo. Era tanto espaço que faria qualquer módulo da atual Estação Espacial Internacional parecer um quitinete estudantil.

Mas havia um problema invisível. Embora estivesse a mais de quatrocentos quilômetros de altitude, a Skylab ainda encontrava uma atmosfera extremamente rarefeita, mas suficiente para exercer um pequeno arrasto. Um efeito minúsculo, mas contínuo. E como ela não possuía motores próprios para correções orbitais, a cada volta em torno da Terra, a estação perdia um pouquinho de velocidade e de altitude. 

A expectativa era que a Skylab fosse levada para uma órbita mais alta quando os ônibus espaciais entrassem em operação. Só que essa manobra nunca aconteceu porque o programa dos ônibus espaciais atrasou e porque o Sol entrou em um período de intensa atividade. 

Durante períodos assim, as camadas superiores da atmosfera aquecem e se expandem. Isso aumentou a densidade de moléculas na altitude da Skylab, intensificando o arrasto e acelerando sua queda. Quando ficou claro que o ônibus espacial não estaria pronto a tempo, a reentrada tornou-se inevitável. E sem motores para manobrar em órbita, essa reentrada seria fatalmente descontrolada.

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