
Lançada em 7 de outubro de 2024, a missão Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA) passou perto de Marte em março deste ano enquanto seguia em direção ao alvo principal: o sistema duplo de rochas espaciais de Didymos e Dimorphos. Na ocasião, a espaçonave usou a gravidade do Planeta Vermelho para atravessar a região conhecida como Cinturão de Asteroides, onde aproveitou para testar seus instrumentos.
Em um comunicado, a ESA divulgou imagens capturadas pela sonda durante esses testes, que mostram as rochas (1126) Otero e (18805) Kellyday. Segundo a agência, além de comprovar a eficiência da Câmera de Enquadramento de Asteroide (AFC), o teste também serviu como demonstração de operações ágeis de naves espaciais que podem ser úteis para a defesa planetária.
Esse momento é celebrado pela equipe, pois embora Hera já tenha feito outras capturas, como da Terra, da Lua e de Marte, esta foi a primeira vez que ela registrou imagens de asteroides.
Segundo Giacomo Moresco, engenheiro de Dinâmica de Voo do Centro Europeu de Operações Espaciais da ESA, a equipe tem aproveitado a “fase de cruzeiro” para ensaios estratégicos. “Podemos usar esse período para testar procedimentos e nos preparar para a chegada, como tentar observar asteroides próximos”.
O Cinturão de Asteroides, localizado entre Marte e Júpiter, é surpreendentemente espaçoso. As rochas estão separadas por milhões de quilômetros, o que dificultou encontrar alvos adequados para a Hera fotografar. A equipe precisou identificar quais asteroides poderiam ser capturados, programar a trajetória e garantir que a sonda seguisse uma sequência precisa de observações – um planejamento que levou semanas.
Otero e Kellyday foram os escolhidos porque, embora ambos sejam pouco conhecidos e distantes, eles representaram um desafio semelhante ao que a espaçonave enfrentará ao localizar Didymos e Dimorphos pela primeira vez, quando também aparecerão como pontos fracos de luz no céu.
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