Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 24 de fevereiro de 2025 · 2 min de leitura ·

Supercomputador da NASA desvenda mistério dos limites do Sistema Solar

Supercomputador da NASA desvenda mistério dos limites do Sistema Solar

Uma pesquisa feita com base em simulações feitas em um supercomputador da NASA sugere que a nuvem de Oort – uma imensa região de objetos gelados na borda do Sistema Solar – pode ter uma estrutura semelhante a uma galáxia em miniatura, com braços espirais organizados. Disponível no servidor de pré-impressão arXiv, aguardando revisão por pares, o estudo desafia a ideia de que a nuvem teria uma forma caótica e sem padrão definido. 

A localização extrema e a dificuldade de observação direta da nuvem de Oort fazem com que pouco se saiba sobre sua verdadeira estrutura. Agora, os pesquisadores propõem que a parte interna dessa região pode se organizar em um disco espiral. 

Essa nuvem teria surgido há cerca de 4,6 bilhões de anos, durante a formação do Sistema Solar. Na época, os planetas gigantes – Júpiter, Saturno, Urano e Netuno – arremessaram bilhões de fragmentos para longe, criando essa vasta região. Embora alguns desses corpos sejam tão grandes que poderiam ser classificados como planetas anões, a maioria é composta por rochas e gelo.

A borda interna da nuvem de Oort começa entre 2.000 e 5.000 unidades astronômicas (UA) do Sol, enquanto a borda externa pode alcançar até 100.000 UA. Para comparação, uma UA equivale à distância média entre a Terra e o Sol, que é de cerca de 150 milhões de quilômetros. Mesmo viajando a 1,6 milhão de quilômetros por dia, a sonda Voyager 1, da NASA (espaçonave mais distante em operação), levaria 300 anos para alcançar a nuvem e mais 300.000 anos para atravessá-la.

Essa imensa distância dificulta a observação direta dos objetos da nuvem de Oort. Esses corpos são pequenos, refletem pouca luz e se movem lentamente, tornando quase impossível detectá-los com telescópios convencionais. A principal evidência da existência da nuvem vem dos cometas de longo período, que ocasionalmente são desviados em direção ao Sol por forças gravitacionais externas.

Para entender melhor a estrutura daquela região, os autores do novo estudo analisaram as órbitas dos cometas e os efeitos gravitacionais que atuam sobre eles. Além das forças do próprio Sistema Solar, a pesquisa levou em conta a influência de estrelas próximas e da Via Láctea. 

Compartilhe