Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

Supernova pode ser resquício de galáxia devorada pela Via Láctea

Supernova pode ser resquício de galáxia devorada pela Via Láctea

Uma nova análise dos movimentos de uma das explosões estelares mais famosas já registradas revela que ela pode não ser nativa da Via Láctea e sim ter vindo de outra galáxia. Trata-se da chamada Estrela de Kepler, uma supernova observada no céu em 1604. 

Na época, o fenômeno foi tão brilhante que pôde ser visto a olho nu – mesmo a 20 mil anos-luz de distância. O astrônomo Johannes Kepler estudou a estrela por um ano, dando a ela seu nome. Séculos depois, cientistas descobriram que se tratava de uma supernova (a morte explosiva de uma estrela).

Nos anos de 1970, astrônomos perceberam que os restos da explosão estavam se afastando rapidamente do centro da galáxia. Isso indicava que algo incomum havia ocorrido. A supernova parecia estar “fugindo” da galáxia em direção à Terra, o que já levantava suspeitas de sua origem.

Agora, uma equipe liderada pela pesquisadora Ping Zhou, da Universidade de Nanjing, na China, retomou a pesquisa. Eles analisaram a trajetória da Supernova de Kepler (ou SN 1604) e compararam com o movimento das estrelas vizinhas, usando dados do telescópio Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), que observa bilhões de estrelas na galáxia.

A análise mostrou que a SN 1604 se move muito mais rápido e em uma direção diferente das estrelas ao redor, o que pode significar que ela não nasceu ali. A hipótese mais provável é que o objeto tenha vindo de uma pequena galáxia engolida pela Via Láctea em uma colisão no passado.

Com base nesse estudo, disponível no repositório de pré-impressão online arXiv, onde aguarda revisão por pares, os cientistas estimam que supernovas de origem externa podem acontecer na Via Láctea a cada 60 mil anos. Isso corresponde a cerca de 1% de todas as explosões estelares observadas por aqui.

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