
A Comissão Federal de Comunicação (FCC) autorizou a Boeing a oferecer serviços de conexão à internet via satélite, um projeto que a empresa aeroespacial havia submetido à avaliação do órgão regulatório em meados de 2019.
Na prática, a concessão da FCC permite que a Boeing crie, lance, mantenha e opere satélites na órbita da Terra, oferecendo uma plataforma de conexão à internet para áreas onde a cobertura por fibra óptica e outros meios mais tradicionais é menos favorecida, além de entrar em um espaço onde se destacam empresas como a SpaceX, de Elon Musk, e a OneWeb.
Segundo o projeto da Boeing, a sua constelação de internet via satélite deve ser composta por 132 satélites na baixa órbita, a uma altitude de 1.056 quilômetros (km). Outros 15 satélites adicionais devem ser colocados em uma “órbita não geoestacionária”, localizada entre 27.355 e 44.221 km de distância da superfície da Terra.
De acordo com a descrição do projeto, isso permitirá à empresa oferecer “serviços de conexão de internet banda larga para consumidores residenciais, governamentais e empresariais nos Estados Unidos, Porto Rico e Ilhas Virgens”. Esses dois últimos, para quem não sabe, são “territórios não incorporados” dos EUA, e estão sujeitos às mesmas legislações de cidadania vigentes na parte continental do país.
No lado técnico da coisa, a Boeing pretende oferecer internet via satélite dentro da frequência “V-band” (75 GHz): por um lado, isso pode significar conexões de velocidade mais alta que as concorrentes. Por outro, a “V-band” é mais propensa a interferências e quedas por seu sinal não atravessar a maioria dos objetos sólidos. Em termos simplistas, uma parede muito grossa pode reduzir a velocidade ou mesmo impedir a conexão.
A SpaceX, hoje, usa as frequências “Ka” e “Ku” (26,5 a 40 GHz). Embora mais lentas, elas têm maior estabilidade mesmo se tiverem que atravessar diversos objetos. Não é à toa que, além da SpaceX, a OneWeb e linhas aéreas que oferecem internet em seus aviões também trabalham com essas frequências. O ainda não lançado “Projeto Kuiper”, da Amazon, também irá utilizá-las.
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