Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de abril de 2026 · 2 min de leitura ·

Tecnologia nacional na Lua: o relógio brasileiro que acompanhou os astronautas da Artemis 2

Tecnologia nacional na Lua: o relógio brasileiro que acompanhou os astronautas da Artemis 2

Na madrugada de 1º de abril, enquanto a espaçonave Orion deixava a Flórida em direção à Lua, uma notificação eletrônica caiu na caixa de entrada do engenheiro Rodrigo Trevisan Okamoto, em São Paulo. A mensagem, enviada pela NASA, confirmava o que ele e a equipe da startup Condor Instruments esperavam há quase três anos: o actígrafo que desenvolveram estava a bordo do voo tripulado mais importante desde a Apollo.

“Foi uma surpresa completa. Só depois que a missão acabou descobrimos que os astronautas já vinham usando o equipamento em testes secretos nos dois anos anteriores”, conta Okamoto, cofundador da empresa que nasceu com apoio do programa PIPE-FAPESP, à Agência Fapesp.

O dispositivo parece um relógio esportivo comum, mas sua função é bem mais sofisticada. Ele carrega acelerômetros e sensores capazes de medir luz em diferentes comprimentos de onda e também a temperatura da pele. A combinação dessas informações permite reconstruir o ciclo de sono e vigília do usuário com precisão milimétrica.

No espaço, essa capacidade é vital. A cada 90 minutos, a Estação Espacial Internacional testemunha um nascer e um pôr do sol. Dentro da cápsula Orion, a confusão entre dia e noite é total, e o relógio biológico dos astronautas perde suas referências. O resultado é privação de sono, déficit cognitivo e riscos operacionais.

“A cronobiologia nasceu financiada pela NASA, justamente pela necessidade de entender como o astronauta dorme lá em cima”, lembra Mario Pedrazzoli Neto, professor da USP que coordenou os estudos que deram origem à tecnologia.

Existem actígrafos no mercado internacional, mas o brasileiro tem três diferenciais que chamaram a atenção da agência americana. Primeiro, ele monitora simultaneamente movimento, luz e temperatura da pele — as três variáveis centrais para entender o sono. Segundo, mede a chamada luz melanópica, o espectro azul-ciano emitido por telas de celular que inibe a produção de melatonina. Terceiro, tem um botão de eventos que os astronautas acionam em momentos históricos — como no recorde de distância de 406.777 km da Terra, atingido em 6 de abril.

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