Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de abril de 2022 · 2 min de leitura ·

Tem hélio primordial vazando do núcleo da Terra; saiba o motivo

Tem hélio primordial vazando do núcleo da Terra; saiba o motivo

Um tipo muito raro de gás hélio – chamado de “hélio primordial” ou ainda “hélio-3”, está escapando do núcleo da Terra, de acordo com novo estudo publicado no jornal científico Geochemistry, Geophysics, Geosystems ao final de março.

O hélio primordial é um isótopo – ou “variante” – bem mais rara do hélio comum, pois contém apenas um nêutron em seu núcleo ao invés dos costumeiros dois. Segundo os pesquisadores, ele é uma “maravilha da natureza” que pode nos ajudar a entender profundamente a história da Terra, já que essa variante do gás apareceu na explosão do Big Bang, o evento que levou ao nascimento do universo há 13,8 bilhões de anos.

Na Terra, o hélio primordial corresponde a 0,0001% de todo o hélio do planeta. Ele pode ser criado por vários processos – como o desgaste radioativo do trítio, um isótopo raro de hidrogênio. O fato de ele escapar do nosso núcleo não é bem uma novidade: cientistas estimam que esse escape corresponda a mais ou menos dois quilogramas (kg) do material por ano – o suficiente para encher uma bexiga do tamanho de uma mesa.

Mas os pesquisadores não sabiam exatamente quanto do hélio-3 vinha do núcleo da Terra se comparado ao manto, nem tampouco quanto dele nós temos em nossos “reservatórios naturais”. A fim de responder a essa pergunta, pesquisadores da Universidade do Novo México compararam dois modelos da Terra – um durante a formação do nosso planeta (quando o hélio primordial ainda estava sendo acumulado) e outro após a formação da Lua (quando, supostamente, um choque com outro corpo planetário formou o satélite e nos fez perder muito do gás).

Segundo Peter Olson, geofísico e autor primário do estudo, nem todo o gás foi expelido após o impacto. O que ficou aqui continuou sendo derramado pelas partes internas da Terra. E faz sentido que o núcleo seja seu reservatório pois ele “é menos vulnerável a impactos maiores se comparado a outras partes do sistema da Terra”.

Ao comparar o comportamento do isótopo com a sua taxa de escape, os autores determinaram que existem cerca de 10 teragramas (10 milhões de toneladas) do hélio primordial no núcleo da Terra. “Nosso modelo de troca [de hélio-3] durante a formação e evolução da Terra implica no núcleo metálico do planeta como um reservatório com vazamento, mas que fornece o gás ao resto da Terra”.

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