
Pesquisadores da NASA e da Universidade de Lancaster identificaram evidências de que os impactos das tempestades solares mais severas podem ter sido subestimados. O estudo, publicado nesta quarta-feira (15) na revista Nature, questiona a existência de um limite máximo para a reação do campo magnético terrestre.
A investigação analisou dados de ventos solares e correntes elétricas na alta atmosfera para avaliar como a Terra responde a grandes eventos espaciais. Os cientistas concluíram que uma suposta estabilização dos efeitos poderia ser resultado de falhas estatísticas nas medições, e não de uma proteção natural contra fenômenos extremos.
O trabalho foi liderado por Nithin Sivadas, pesquisador do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, com participação de Maria Walach, da Universidade de Lancaster. A análise indica que tempestades solares excepcionais podem provocar consequências mais intensas em satélites, sistemas de comunicação e navegação.
Durante décadas, cientistas consideraram que a influência das tempestades solares sobre a Terra chegaria a um ponto máximo. Essa hipótese se baseava na observação de que determinadas correntes elétricas da atmosfera superior pareciam parar de aumentar mesmo quando o vento solar ficava mais intenso.
O novo estudo sugere que essa aparente saturação pode ter sido causada pela forma como os dados eram coletados. Grande parte das medições de eventos extremos vem de sondas localizadas no ponto de Lagrange 1, região situada a cerca de 1,6 milhão de quilômetros da Terra em direção ao Sol.
De acordo com os pesquisadores, a diferença entre a força do vento solar registrada nesse ponto e aquela que realmente atinge o planeta pode criar uma distorção. Quando esses dados são reunidos em grandes conjuntos, valores mais extremos tendem a parecer menos intensos, fazendo surgir a impressão de que existe um limite para a resposta terrestre.
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