
Um recente estudo trouxe à luz uma perspectiva promissora no tratamento da surdez por meio da terapia gênica. Os resultados iniciais revelaram uma notável melhora na audição de crianças afetadas por mutações genéticas que resultaram em perda auditiva.
O estudo, publicado na revista científica The Lancet, foi conduzido por um grupo de pesquisadores do Instituto de Otorrinolaringologia e Departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia, Hospital de Olhos e Ouvidos, da Universidade Fudan, em Xangai, na China.
A terapia em questão visa especificamente casos de surdez associados a uma mutação no gene da otoferlina, conhecido como OTOF.
O professor Victor Evangelista de Faria Ferraz, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP), esclareceu ao Jornal da USP que a proteína produzida pelo gene OTOF desempenha um papel crucial na transmissão dos sinais elétricos para os nervos, facilitando a comunicação auditiva até o cérebro.
A otoferlina está intimamente ligada à condução nervosa da cóclea, o órgão responsável por transformar estímulos sonoros mecânicos em impulsos nervosos. Ela é especificamente encontrada nas células ciliadas, responsáveis por essa conversão mecânico-elétrica.
O estudo utilizou uma abordagem inovadora envolvendo vírus adeno-associados modificados, os quais foram injetados diretamente na cóclea, transportando uma cópia funcional do gene OTOF. Esta técnica permitiu que a otoferlina fosse expressa nas células auditivas, resultando em melhorias significativas na audição de cinco dos seis pacientes tratados.
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