Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Terremotos lentos na Nova Zelândia ganham possível explicação

Terremotos lentos na Nova Zelândia ganham possível explicação

Um estudo publicado na revista Science Advances revela uma descoberta importante sobre os chamados “terremotos lentos” na costa leste da Ilha Norte da Nova Zelândia. Pesquisadores identificaram estruturas ocultas, chamadas sistemas de falhas poligonais (PFSs), que influenciam diretamente o comportamento sísmico da região. 

Essas falhas aparecem em sedimentos que entram na zona de subducção e parecem controlar os terremotos de deslizamento lento. Segundo Philip Barnes, geólogo marinho da organização Earth Sciences New Zealand e membro da equipe, antigos padrões geológicos podem ser reativados mais próximos da superfície, influenciando o movimento gradual das placas tectônicas.

Na zona de subducção de Hikurangi, a Placa do Pacífico mergulha sob a Placa Australiana. Enquanto o sul da região fica bloqueado e pode gerar terremotos gigantes acima da magnitude 8, o norte se comporta de forma diferente. Ali, os deslizamentos lentos liberam a tensão tectônica ao longo de dias ou meses, sem tremores fortes.

Esses eventos não provocam terremotos violentos sozinhos, mas podem aumentar a pressão sobre falhas próximas e desencadear tremores mais destrutivos. Entender o que controla esses movimentos é essencial para melhorar alertas de terremotos e tsunamis, aumentando a segurança das comunidades costeiras.

O estudo foi uma colaboração internacional envolvendo pesquisadores da China, EUA e Nova Zelândia. Eles utilizaram dados do Programa Internacional de Descoberta Oceânica e do levantamento sísmico tridimensional NZ3D em Gisborne, permitindo mapear as PFSs com precisão inédita.

Com imagens sísmicas 3D de alta resolução, perfurações em alto mar e modelagem computacional, a equipe analisou como essas falhas evoluem ao longo do tempo. Formadas durante milhões de anos de sedimentação, elas podem ser reativadas quando arrastadas para a zona de subducção, tornando-se grandes falhas de empurrão.

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