
Uma equipe de cientistas está empreendendo um projeto ambicioso: “ressuscitar” o tigre-da-tasmânia, ou tilacino (Thylacinus cynocephalus), um predador listrado que reinou sobre as planícies australianas antes de ser extinto há quase 100 anos.
Apesar de seu nome popular, esta espécie não tinha parentesco próximo com os tigres, já que não era um felino, mas um marsupial, uma subdivisão dos mamíferos que inclui os cangurus e os coalas. Sua característica mais importante é o fato de as fêmeas possuírem uma bolsa externa com glândulas mamárias onde os filhotes recém-paridos completam o seu desenvolvimento antes de adentrar o mundo.
O grupo de pesquisadores envolvido no projeto pretende utilizar células-tronco da espécie viva mais próxima ao tigre-da-tasmânia, um marsupial carnívoro chamado ‘dunnart’ que é do tamanho de um camundongo. Em seguida, através da engenharia genética, eles planejam comparar amostras do genoma de um fóssil de tilacino e modificar a estrutura genética do dunnart DNA para atingir a composição mais fiel possível à do tigre-da-tâsmania. Isso representaria um avanço e tanto para a tecnologia de edição de genes.
Por fim, apesar da diferença de tamanho entre os dois animais – o tilacino tinha a altura de um coiote -, os cientistas farão com que uma fêmea dunnart desempenhe o papel de mãe substituta ao tigre-da-tasmânia durante os estágios iniciais de sua vida. Isso será possível porque todos os marsupiais dão luz à filhotes tão pequenos como um grão de arroz.
Andrew Pask, professor que lidera o projeto na Universidade de Melbourne, na Austrália, acredita que em 10 anos poderemos conhecer o primeiro filhote de tilacino a pisar na Terra em quase um século.
O projeto é uma parceria entre a universidade e a empresa norte-americana Colossal Biosciences, que está envolvida em outro projeto ousado: trazer de volta à vida o mamute lanoso.
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