
Todos os dias, a tripulação da Artemis 2 é acordada com uma música diferente – uma tradição de mais de 60 anos na exploração espacial humana. Mas, nesta segunda-feira (6), o “chamado de despertar” da tripulação contou com uma emoção a mais: uma mensagem gravada por Jim Lovell, astronauta falecido no ano passado que participou de duas missões emblemáticas da era Apollo.
Há uma enorme expectativa em relação a este sexto dia da missão lançada pela NASA na última quarta-feira (1) em direção à Lua. Isso porque dois marcos importantíssimos serão atingidos: além de chegar ao lado oculto da Lua, a cápsula Orion vai ultrapassar o ponto mais distante da Terra já alcançado por seres humanos.
Embora esta não seja a primeira vez que astronautas veem a “outra face” da Lua, que nunca aparece para a Terra, a diferença está na trajetória da Artemis 2 e nas regiões geográficas observadas. As missões Apollo que contornaram a Lua passavam pelo lado oculto, mas em órbitas mais próximas do equador lunar, deixando muitas áreas extremas ou polares fora do campo de visão.
A Artemis 2 seguirá uma rota mais ampla e inclinada, permitindo que a tripulação veja partes do lado oculto nunca antes observadas diretamente por olhos humanos. Serão novos ângulos, panoramas inéditos e trechos próximos aos polos, oferecendo um contato visual único com regiões lunares até agora inexploradas.
A primeira missão Apollo a alcançar o lado oculto da Lua foi a 8, em 1968, com Lovell a bordo, acompanhado por Frank Borman e Bill Anders. O feito foi repetido pelas missões Apollo 10 e 11, ambas em 1969, e 13, em 1970.
Lovell também participou da Apollo 13, que tinha como objetivo pousar na Lua, mas acabou abortada devido a uma explosão no módulo de serviço. Apesar disso, a missão acabou registrando um feito notável: a tripulação utilizou a trajetória de livre retorno, que atingiu o ponto mais distante já alcançado por seres humanos em relação à Terra até então: cerca de 400 mil km. Felizmente, a tripulação conseguiu voltar para casa com segurança.
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