Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de agosto de 2026 · 2 min de leitura ·

Tubarão que brilha no escuro pode ter descoberto um jeito curioso de caçar

Tubarão que brilha no escuro pode ter descoberto um jeito curioso de caçar

O tubarão kitefin, maior vertebrado bioluminescente conhecido, pode ter desenvolvido seu brilho não apenas para se camuflar nas profundezas do oceano, mas também para localizar alimento.

A hipótese surgiu a partir de análises realizadas com oito exemplares capturados como fauna acompanhante durante uma pesquisa na região de Chatham Rise, a leste da Nova Zelândia, e examinados por pesquisadores liderados pelo biólogo marinho Julien Claes, da Université Catholique de Louvain, na Bélgica.

Publicado na última sexta-feira (07) na revista iScience, o estudo indica que a luz emitida pelo animal apresenta características compatíveis com a camuflagem, mas também se espalha lateralmente de maneira que pode favorecer a procura por presas em um ambiente quase sem iluminação.

O fenômeno conhecido como contra-iluminação é utilizado por diversos animais marinhos para reduzir a própria silhueta diante da luminosidade que chega da superfície. Em vez de aparecer como uma forma escura para animais que observam de baixo, o corpo recebe uma iluminação capaz de se confundir com o ambiente.

No caso do tubarão kitefin, essa explicação ganhou força porque o tubarão não possui predadores naturais conhecidos. A descoberta da bioluminescência da espécie é relativamente recente, e a ausência de ameaças conhecidas levantou a possibilidade de que sua emissão luminosa cumpra funções além da defesa.

Os pesquisadores mediram a intensidade, a coloração e a direção da luz produzida pelos oito tubarões. Na região inferior do corpo, o brilho apresentou tonalidade azul esverdeada, com pico de emissão em 491 nanômetros.

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