Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Um buraco negro supermassivo estava “se escondendo” em anel de poeira cósmica

Um buraco negro supermassivo estava “se escondendo” em anel de poeira cósmica

Tal qual uma criança brincando na rua, um buraco negro supermassivo vinha “se escondendo” por trás de uma nuvem de poeira cósmica na galáxia Messier 77, a 46,9 milhões de anos-luz da Terra. O objeto foi encontrado por pesquisadores usando o VLT (sigla para “Telescópio Muito Grande”) no Observatório Europeu do Sul (ESO).

A descoberta está oferecendo uma série de novas informações que prometem ajudar os cientistas na compreensão do funcionamento dos chamados “núcleos galácticos ativos”, fontes extremas de energia alimentadas por buracos negros supermassivos, encontrados no centro de algumas galáxias.

“Esses buracos negros se alimentam de amplos volumes de poeira e gases cósmicos. Antes de ser completamente devorado, esse material gira em direção ao buraco negro, e enormes quantidades de energia são liberadas neste processo, normalmente superando o brilho das próprias estrelas daquela galáxia”, explica o ESO em um comunicado publicado em seu site oficial.

O problema é que “enormes quantidades de energia” é uma terminologia que pode ser aplicada a muitas coisas: existem AGNs que dispersam imensos volumes de ondas de rádio, enquanto outros emitem luz em frequências que o olho humano não identifica — e há ainda aqueles cuja dispersão energética é mais “humilde”, como é o caso da galáxia Messier 77.

Uma teoria chamada Modelo Unificado postula que todos os AGNs tem a mesma estrutura básica: um buraco negro supermassivo cercado por um denso anel de poeira. A diferença na “aparência” dos objetos seria devido à sua orientação em direção à Terra, ou seja, quanto do buraco negro é encoberto pelo anel de poeira, podendo até ser completamente ocultado às vezes.

Os astrônomos encontraram algumas evidências para apoiar o Modelo Unificado antes, incluindo a detecção de poeira quente no centro de Messier 77. No entanto, as dúvidas permaneceram sobre se essa poeira poderia esconder completamente um buraco negro e, portanto, explicar por que esse AGN brilha menos na luz visível do que outras.

Compartilhe