Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 24 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Um planeta cujo ano dura apenas 16 horas pode nos ajudar a entender como planetas morrem

Um planeta cujo ano dura apenas 16 horas pode nos ajudar a entender como planetas morrem

A missão Transiting Exoplanet Survey Satellite (ou simplesmente TESS), conduzida pela NASA sob coordenação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), descobriu um planeta que leva apenas 16 horas para girar em torno de sua estrela, o que sugere que ele está próximo de ser engolido pelo astro.

Nomeado “TOI-2109b”, o exoplaneta é um gigante gasoso com cerca de cinco vezes a massa de Júpiter, mas ao contrário do nosso “peso pesado” – cuja órbita dura mais ou menos 12 anos terrestres, o recém-descoberto corpo planetário é tão veloz que completa um ano inteiro em menos tempo do que nós completamos um dia.

O TOI-2109b é classificado como o que cientistas chamam de “Júpiter quente” – um tipo de exoplaneta de natureza gasosa, mas que traz órbitas aceleradas e temperaturas incrivelmente elevadas – neste caso, estamos falando de pouco mais de 3.300 ºC (Celsius), o que faz do TOI-2109b o segundo mais quente já detectado (o mais quente, a critério de curiosidade, é o KELT 9B, com obscenos 4.315 ºC).

A velocidade com a qual se move, porém, é o ponto mais interessante aqui: a julgar pela duração de sua órbita, os cientistas acreditam que o TOI-2109b esteja em estado de “decadência orbital” – um momento no fim da vida de um corpo planetário onde sua órbita acelerada é indício de que ele esteja se aproximando mais e mais de sua estrela.

Neste caso, acredita-se que o TOI-2109b deve, literalmente, “entrar” em sua estrela entre cinco e 10 milhões de anos – um prazo bastante curto considerando que quase tudo no espaço trabalha com escalas de tempo da ordem de bilhões de anos.

“Em um ou dois anos, se tivermos sorte, talvez possamos detectar como o planeta se moveu para mais perto de sua estrela”, disse Ian Wong, recentemente graduado em seu pós-doutorado pelo MIT, membro do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e co-autor do paper com detalhes da descoberta do planeta.

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