
A descoberta de uma molécula que, na Terra, está presente apenas em seres orgânicos, em um planeta de nossa galáxia, pode ser um dos achados mais significativos na busca por vida alienígena. É assim que Marcelo Zurita, astrônomo e colunista do Olhar Digital, classifica o feito.
Segundo Zurita, apesar do avanço, ainda são necessárias análises adicionais para confirmar a descoberta com maior confiabilidade. “Toda a cautela demonstrada pelos cientistas não é à toa”, disse ao Olhar Digital.
A pesquisa conduzida pela Universidade de Cambridge e publicada no The Astrophysical Journal Letters revelou que a atmosfera do planeta K2-18b parece conter a assinatura química de pelo menos uma entre duas moléculas associadas à vida: dimetilsulfeto (DMS) e dimetil dissulfeto (DMDS). Na Terra, esses gases são produzidos por fitoplâncton marinho e bactérias.
A presença do DMS e do DMDS foi detectada por meio da análise de variações mínimas no espectro de luz de uma estrela tênue durante o trânsito do exoplaneta. “São conclusões extraordinárias obtidas a partir de uma quantidade ínfima de luz”, explica Marcelo Zurita.
O K2-18b foi descoberto em 2017 por cientistas canadenses durante observações com telescópios terrestres no Chile. Até então, era considerado um planeta comum entre os que existem fora do nosso Sistema Solar.
Trata-se de um sub-Netuno, significativamente maior que os planetas rochosos do Sistema Solar, porém menor que Netuno e outros gigantes gasosos.
Entre para comentar.