
Uma população única de bovinos que retornou à vida selvagem após ser abandonada em uma ilha remota do Oceano Índico teve seu destino selado em 2010, apesar de representar um caso raro de adaptação evolutiva e despertar questionamentos sobre conservação da biodiversidade.
Situada a 4,44 mil km a sudeste de Madagascar, a Ilha Amsterdã — de tamanho comparável à ilha francesa de Noirmoutier — abrigou, durante mais de um século, uma extraordinária população de gado que sobreviveu e prosperou em condições aparentemente incompatíveis com a criação bovina: clima temperado oceânico, ventos constantes e, por vezes, violentos, chuvas frequentes e ausência de pontos de água permanentes.
Contrariando teorias anteriores, os pesquisadores não encontraram evidências de “nanismo insular” — fenômeno adaptativo em que animais reduzem de tamanho para se adaptar a recursos limitados.
Os animais fundadores já eram naturalmente pequenos, semelhantes ao gado Jersey e ao zebu de Madagascar, explicam Laurence Flori, diretora de pesquisa de genética animal na UMR SELMET Inrae, Mathieu Gautier, pesquisador em genômica populacional, estatística e evolutiva na Inrae e Tom Druet, diretor de pesquisa da F.R.S.- FNRS (Fonds National de la Recherche Scientifique) da Univerdiade de Liège, ao The Conversation.
A pesquisa detectou marcas de seleção natural nos genomas desses animais, particularmente em genes ligados ao funcionamento do sistema nervoso, desempenhando papel fundamental na adaptação ao ambiente inóspito e no processo de feralização.
Observadores descreveram uma organização social complexa, semelhante à do gado selvagem, com grupos estruturados matrilinearmente, compostos principalmente por fêmeas e machos jovens, grupos geograficamente separados de machos adultos e grupos mistos formados no início da temporada reprodutiva.
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