Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 12 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

Vantagem genética ajudou plantas a sobreviver ao asteroide que matou os dinossauros

Vantagem genética ajudou plantas a sobreviver ao asteroide que matou os dinossauros

Um estudo recém-publicado na revista Cell analisou por que tantas plantas conseguiram sobreviver ao impacto de um asteroide gigantesco que atingiu a Terra há cerca de 66 milhões de anos. Esse evento marcou o fim dos dinossauros não aviários e provocou uma extinção em massa que eliminou aproximadamente um terço de todas as espécies do planeta. 

No entanto, enquanto muitos organismos desapareceram, diversas linhagens de plantas resistiram e se diversificaram após a catástrofe.

Os cientistas buscaram entender o que permitiu essa sobrevivência em meio a um cenário tão extremo. O trabalho sugere que uma característica genética específica pode ter sido decisiva. Em vez de ser uma adaptação planejada pela evolução, essa característica aparece como um tipo de “acidente biológico” que, em situações normais, até traz desvantagens, mas que pode se tornar útil em momentos de crise ambiental.

Liderada pelo biólogo Yves Van de Peer, da Universidade de Ghent, na Bélgica, a equipe analisou o genoma de 470 espécies de plantas com flores, um dos maiores conjuntos de dados já usados nesse tipo de investigação. Além disso, os pesquisadores cruzaram essas informações com registros fósseis de 44 espécies para identificar quando ocorreram grandes mudanças genéticas ao longo da história evolutiva das plantas.

De acordo com um comunicado, o principal foco do estudo foi um fenômeno chamado poliploidia. Em termos simples, ele ocorre quando uma planta acaba duplicando todo o seu conjunto de cromossomos. Em vez de ter dois conjuntos, como a maioria dos seres vivos, algumas plantas passam a ter quatro, seis ou até mais. Isso é mais comum no reino vegetal do que no animal e aparece em culturas conhecidas, como o trigo e algumas variedades de banana.

Em condições normais, essa duplicação não é necessariamente vantajosa. Um genoma maior exige mais energia para ser mantido, aumenta a necessidade de nutrientes e pode até causar problemas de fertilidade. Por isso, muitas plantas com genomas duplicados não sobrevivem por muitas gerações. Em geral, essas mudanças desaparecem com o tempo, sem deixar grandes marcas na evolução.

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