Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Vênus: sinal de vida enfraquece após Webb encontrar peça-chave em lugar inesperado

Vênus: sinal de vida enfraquece após Webb encontrar peça-chave em lugar inesperado

A busca por vida em Vênus acaba de ganhar um novo capítulo, impulsionada por uma descoberta do Telescópio Espacial James Webb (JWST). O instrumento identificou fosfina na atmosfera de uma anã marrom — o mesmo composto que, em 2020, provocou uma grande controvérsia após supostos sinais de sua presença em Vênus.

A detecção foi feita na anã marrom Wolf 1130C, que integra um sistema triplo ao lado de uma estrela anã vermelha de baixa massa e uma anã branca.

De acordo com os cientistas, a fosfina está presente em uma abundância de 0,1 partes por milhão, valor compatível com o previsto por modelos atmosféricos de planetas gasosos e anãs marrons. Júpiter e Saturno, por exemplo, apresentam concentrações semelhantes.

O achado confirma previsões de modelos que simulam atmosferas alienígenas e reforça que a presença de fosfina não deve ser interpretada automaticamente como um indício de vida. “Portanto, recomendamos cautela no uso da fosfina como bioassinatura até que essas discrepâncias sejam resolvidas”, alertam os pesquisadores, segundo informa o Space.com.

Na Terra, a fosfina é produzida por processos biológicos, o que levou o grupo a sugerir uma possível origem microbiana para o sinal observado. A hipótese de vida nas nuvens tóxicas de Vênus gerou grande repercussão, mas também forte contestação. Diversos cientistas apontaram falhas na análise e tentativas posteriores de reproduzir os resultados não tiveram sucesso.

Mesmo assim, a equipe de Greaves manteve suas conclusões e o debate sobre a presença de fosfina em Vênus continua acirrado. Parte da comunidade científica questiona como o composto poderia sobreviver na atmosfera venusiana, dadas suas condições extremas.

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