Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de agosto de 2026 · 2 min de leitura ·

Verme-do-diabo revela como a vida sobrevive nas regiões mais profundas da Terra

Verme-do-diabo revela como a vida sobrevive nas regiões mais profundas da Terra

Um pequeno verme encontrado nas profundezas de uma mina de ouro na África do Sul alterou a visão dos cientistas sobre os limites da vida no planeta. O animal, identificado em 2011 como Halicephalobus mephisto, tornou-se o primeiro nematoide conhecido a habitar regiões tão profundas da crosta terrestre.

A descoberta ocorreu após pesquisadores filtrarem milhares de litros de água subterrânea retirada de rochas localizadas a cerca de 1,3 km abaixo da superfície, em 2008. O estudo revelou que ambientes escuros, quentes e com pouco contato com a superfície podem abrigar ecossistemas complexos.

A investigação sobre o chamado verme-do-diabo mostrou que algumas formas de vida conseguem sobreviver sem depender diretamente da luz solar ou de uma atmosfera rica em oxigênio. Os resultados abriram novas perspectivas sobre a adaptação dos organismos e sobre as condições em que a vida pode existir.

Durante décadas, muitos pesquisadores acreditavam que a vida animal dificilmente poderia existir em grandes profundidades. Até a década de 1980, a hipótese predominante entre biólogos era que poucos centímetros abaixo do solo já representavam um limite para organismos vivos mais complexos.

Esse cenário começou a mudar nos anos 1990, quando surgiram evidências de microrganismos vivendo quilômetros abaixo da superfície. A partir dos anos 2000, o biólogo especializado em nematoides Gaetan Borgonie passou a investigar se vermes também poderiam ocupar esses ambientes extremos.

A busca levou Borgonie e outros especialistas à mina Beatrix, na África do Sul, onde foram analisadas águas que circulavam dentro de fissuras das rochas subterrâneas. A equipe instalou filtros capazes de capturar organismos microscópicos e, após examinar mais de 6 mil litros de água, encontrou um verme até então desconhecido pela ciência.

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