
Compostos orgânicos encontrados em Marte pelo rover Curiosity, da Nasa, poderiam ser sinais de vida antiga no planeta, segundo cientistas da agência espacial norte-americana. De acordo com os pesquisadores, algumas das amostras de rocha coletadas ao longo dos anos contêm compostos ricos em um tipo de carbono que aqui na Terra está associado à vida.
No entanto, eles ressaltam que é muito cedo para saber o que gerou os intrigantes compostos. “Estamos encontrando coisas em Marte que são tentadoramente interessantes, mas realmente precisaríamos de mais evidências para dizer que identificamos sinais de vida”, disse Paul Mahaffy, que serviu como principal investigador do laboratório de Análise de Amostras em Marte (SAM) do Curiosity, até se aposentar do Goddard Space Flight Center, da Nasa, em dezembro do ano passado. “Então, estamos olhando para o que mais poderia ter causado a assinatura de carbono que estamos vendo, se não a vida”.
Em agosto de 2012, o Curiosity pousou no interior da Cratera Gale, de 154 quilômetros de largura, em Marte — em uma missão para determinar se a área poderia já ter suportado vida microbiana.
A equipe de rover logo determinou que o chão de Gale era um ambiente potencialmente habitável bilhões de anos atrás, abrigando um sistema de lago e córrego que provavelmente persistiu por milhões de anos.
No novo estudo, publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, a equipe de pesquisa analisou 24 amostras de rocha em pó que o rover coletou com sua broca percussiva de uma variedade de locais, entre agosto de 2012 e julho de 2021. Os materiais foram analisados pelo SAM, que pode identificar e caracterizar compostos orgânicos — moléculas contendo carbono que são os blocos de construção da vida na Terra.
De acordo com o site Space.com, os cientistas descobriram que quase metade dessas amostras foram enriquecidas em carbono-12, um isótopo de carbono estável, em comparação com medições anteriores de meteoritos de Marte e da atmosfera marciana. Isótopos são versões de um elemento que contém diferentes números de nêutrons em seus núcleos atômicos. O carbono-12 tem seis nêutrons, e o carbono-13 tem sete.
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