Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de dezembro de 2022 · 3 min de leitura ·

Vida na Terra pode ser extinta com redução de oxigênio

Vida na Terra pode ser extinta com redução de oxigênio

As mudanças nos planetas são constantes, apesar de levarem algum tempo para acontecer, às vezes, milhões de anos. Com a Terra não é diferente. Um estudo publicado na Nature indicou que no futuro a atmosfera terrestre voltará a ser rica em metano e pobre em oxigênio. Quando o nível de oxigênio cair, provavelmente a maioria dos seres humanos e de outras formas de vida que dependem dele para sobreviver será extinta, caso não busque por alternativas.

Essa alteração está prevista para acontecer daqui bilhões de anos, mas segundo a pesquisa, o processo será rápido e levará a Terra de volta ao estado conhecido como Grande Evento de Oxidação (GOE), que ocorreu há 2,4 bilhões de anos. De acordo com os cientistas envolvidos no exame, é improvável que o oxigênio atmosférico seja uma característica permanente de mundos habitáveis e isso dificulta a busca por sinais de vida fora da Terra.

A pesquisa utilizou modelos detalhados da biosfera terrestre para fazer essa previsão. Com isso, considerou as mudanças no brilho do Sol e a consequente queda dos níveis de gás carbônico. Com essa redução, o número de organismos fotossintetizantes também diminuiria e, por isso, haveria menos oxigênio na atmosfera. O aumento da radiação do Sol extinguiria os oceanos da face da Terra dentro de 2 bilhões anos, porém, o modelo dos cientistas, com aproximadamente 400 mil simulações, aponta que a redução no oxigênio será o principal aniquilador da vida.

Em uma entrevista à New Scientist, o cientista da Terra Chris Reinhard, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, declarou que a queda de oxigênio será muito acentuada, cerca de um milhão de vezes menos oxigênio do que há atualmente. Esse tipo de estudo é muito importante para moldar a forma como os astrônomos buscam por sinais de vida fora da Terra e por planetas potencialmente habitáveis.

Com telescópios cada vez mais refinados, os pesquisadores querem saber quais sinais de dados esses instrumentos estão coletando e se é possível buscar por outras bioassinaturas -além do oxigênio- para ter maiores chances de sucesso no tema. De acordo com os cálculos realizados pelos autores da pesquisa, a história habitável da Terra rica em oxigênio pode acabar durando apenas 20-30% da expectativa de vida do planeta. Porém, a vida microbiana anaeróbica, que não utiliza oxigênio, será a única sobrevivente.

Isabela Gusmão é estagiária e escreve para a editoria de Ciência e Espaço. Além disso, ela é nutricionista e cursa Jornalismo, desde 2020, na Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

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