Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Voo de visitante interestelar perto do Sol poderá ser visto por poucas espaçonaves

Voo de visitante interestelar perto do Sol poderá ser visto por poucas espaçonaves

Uma equipe internacional de cientistas pesquisou quais equipamentos em operação no espaço podem ter as melhores chances de investigar o cometa 3I/ATLAS enquanto ele se aproxima do Sol. Estima-se que o objeto, que é apenas o terceiro visitante interestelar detectado no Sistema Solar, atingirá o periélio – sua menor distância da estrela – em 29 de outubro.

Descoberto em 1º de julho pelo Sistema de Alerta de Impacto Terrestre de Asteroide (ATLAS), esse forasteiro cósmico representa uma chance rara de observar material originado em outro sistema estelar. Antes dele, apenas dois objetos vindos de fora foram identificados: o asteroide ‘Oumuamua, em 2017, e o cometa Borisov, em 2019. 

Um estudo anterior sugere que o 3I/ATLAS pode ter origem no “disco espesso” da Via Láctea, uma região mais antiga e inflada da galáxia, povoada por estrelas velhas. Se isso se confirmar, o cometa teria cerca de 7 bilhões de anos – bem mais antigo que o próprio Sistema Solar. Assim, ele pode carregar registros de processos cósmicos que antecedem a formação da Terra e dos planetas que conhecemos.

Como qualquer cometa, o 3I/ATLAS libera gases e poeira ao se aproximar do Sol. O calor solar aquece o gelo em seu núcleo, transformando-o em vapor e formando a cauda e a coma, a nuvem difusa ao redor do núcleo. Esse comportamento, embora fascinante, acaba dificultando as observações, já que o cometa se torna um alvo instável e mutável.

O maior desafio será acompanhar o objeto durante o periélio. Segundo a pesquisa, descrita em um artigo disponível no servidor de pré-impressão arXiv, onde aguarda revisão de pares, o 3I/ATLAS estará escondido atrás do Sol quando visto da Terra na ocasião. Isso significa que telescópios terrestres e até mesmo observatórios em órbita terrestre, como o James Webb e o Hubble, não terão acesso a ele justamente no período mais revelador.

“Precisaríamos olhar através ou além do Sol para observar o objeto, o que é impossível devido ao brilho da estrela”, explicou o coautor do estudo Andreas M. Hein, da Universidade de Luxemburgo, em entrevista ao site Space.com. Segundo ele, a luminosidade intensa do Sol ofuscará qualquer tentativa de detecção a partir do nosso planeta.

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