Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de novembro de 2023 · 2 min de leitura ·

Voos espaciais aumentam o risco de disfunção erétil nos astronautas

Voos espaciais aumentam o risco de disfunção erétil nos astronautas

Um estudo financiado pela NASA, publicado nesta quarta-feira (22) no periódico científico The FASEB Journal, diz que além dos problemas já conhecidos (como a perda óssea, o enfraquecimento dos músculos, a “síndrome neuro-ocular associada a voos espaciais” (SANS) e a interferência na qualidade do sono), as missões de longa duração ao espaço oferecem uma ameaça específica para os astronautas homens: o aumento do risco de disfunção erétil.

A radiação cósmica galáctica e a microgravidade foram identificadas como possíveis causas desse problema, com efeitos duradouros que podem persistir por décadas. Experimentos em ratos submetidos a condições simuladas de radiação espacial indicaram aumento do estresse oxidativo nos tecidos eréteis.

Os efeitos da microgravidade foram simulados em um grupo de 43 ratos machos. Isso foi feito levantando as patas traseiras dos animais em um ângulo de 30 graus por quatro semanas. Um grupo controle de igual número de ratos foi mantido no solo. Embora a descarga de membros posteriores não seja uma simulação perfeita da microgravidade, pode fornecer informações importantes.

Depois, os ratos de ambos os grupos foram divididos em três subgrupos e expostos a raios cósmicos galácticos (GCR) no simulador GCR no Laboratório de Radiação Espacial da NASA. GCRs são prótons e íons que se movem em alta velocidade. As cobaias foram expostas a níveis altos, baixos ou sem radiação.

Um ano depois, a equipe analisou sinais de disfunção erétil nos animais. Eles mediram mais estresse oxidativo e um estreitamento dos vasos sanguíneos (disfunção endotelial) nos tecidos ao redor do pênis nos ratos que tiveram exposição à radiação em comparação com aqueles que não tiveram – mesmo em doses baixas. A microgravidade também aumentou esses dois fatores de risco, mas em menor grau.

Embora o estudo tenha suas limitações, os pesquisadores enfatizam que os resultados demonstram a necessidade de monitorar de perto a saúde sexual dos astronautas após futuras missões espaciais profundas. Eles sugerem que antioxidantes específicos podem neutralizar esses efeitos prejudiciais nos tecidos eréteis, abrindo possibilidades para tratamento.

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