Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Vulcão do outro lado do mundo está colorindo os crepúsculos no Brasil

Vulcão do outro lado do mundo está colorindo os crepúsculos no Brasil

Você notou o amanhecer e o anoitecer bem mais bonitos e avermelhados nos últimos dias? Pois esse espetáculo que vem colorindo nossos crepúsculos está sendo proporcionado pelas cinzas do vulcão Hunga-Tonga Hunga-Ha’apai, que entrou em erupção do outro lado do mundo há 20 dias.

Há quem goste, mas estar próximo de um vulcão durante sua erupção não deve ser uma experiência muito agradável. E no caso da última erupção do vulcão em Tonga, a coisa foi verdadeiramente assustadora e devastadora. A explosão principal lançou bilhões de metros cúbicos de cinzas na estratosfera, a mais de 30 km de altitude, e provocou tsunamis que varreram as costas de ilhas próximas, causando prejuízos incalculáveis. 

Nessas horas, estar bem longe é bom, nos deixa seguros, mas não nos livra totalmente dos efeitos de uma erupção como essa. A explosão do Hunga-Tonga foi tão intensa que foi ouvida a mais de 500 km de distância. Mas no infrassom, uma frequência que é inaudível para os humanos, a onda de choque deu várias voltas ao mundo. Ela foi percebida por estações meteorológicas em todo planeta, inclusive aqui, no Brasil. E também foi registrada do espaço, em imagens de satélite.

Mas só depois de alguns dias começamos a enxergar um outro efeito daquela erupção: as cinzas do Vulcão Hunga-Tonga chegaram no Brasil. Embora em nuvens bem mais dispersas na atmosfera, elas podem ser percebidas em grande parte do país, principalmente no início e no fim das noites. 

As cinzas vulcânicas têm uma alta concentração de carbono e enxofre, que combinados com outros gases da atmosfera, formam moléculas que acentuam a dispersão da componente azul da luz solar. Ao refletir boa parte do azul, a luz que sobra é avermelhada.

E para completar, a combinação dos feixes de luz dispersos (azul, e violeta) com os que atravessam a atmosfera (amarelo, laranja e vermelho) acabam formando uma variedade de cores intensas, que estão pintando os nossos crepúsculos.

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