Festival de Brasília 2015: Três homens usam o sexo e a vingança para lidar com a perda

Para Minha Amada Morta, de Aly Muritiba, foi o terceiro longa-metragem exibido em competição oficial.
A terceira noite da mostra competitiva do 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro trouxe filmes sobre a solidão. Nos curtas-metragens Cidade Nova, Copyleft e no longa-metragem Para Minha Amada Morta, três homens muito diferentes lidam com a perda (das raízes, da identidade, da pessoa amada) de modo inesperado e violento, especialmente de caráter sexual.
De modo geral, esta foi mais uma noite de qualidade mediana para o festival, que ainda está aguardando um grande favorito, tanto nos curtas quanto entre os longas-metragens.
Cidade Nova traz a história de João, jovem adulto que retorna à pequena cidade onde nasceu, depois de muitos anos sem visitar o lugar. Ele encontra um mundo de silêncios que não remetem aos elementos da sua infância. Diante desta dor, ele se envolve rapidamente com a recepcionista do hotel, numa cena de violência sexual.
O diretor Diego Hoefel trabalha bem a sensação de vazio do protagonista, com a ajuda da boa atuação de João Campos. É uma pena que a construção eficaz seja sabotada pelo final abrupto. A história promissora termina antes de dizer a que veio.
Já Copyleft foi o filme-choque do festival, o tipo de obra controversa que todo evento gosta de ter para aumentar o burburinho nos corredores. O diretor Rodrigo Carneiro subiu ao palco com um longo discurso sobre os assassinatos homofóbicos, lesbofóbicos e transfóbicos, sugerindo políticas governamentais e individuais contra esta realidade. "Ergam seus paus e abram seus orifícios", bradou para o delírio do público, que aplaudiu o discurso de pé.
Entre para comentar.