Mercado de card games no Brasil: Como viramos a capital do TCG na América Latina

Diogo Pires não planejou construir uma casa com cartas de Magic. Ele só gostava de colecionar — como tantos adolescentes que cresceram em torno de uma mesa, baralhos na mão e horas de jogo pela frente. Mas décadas depois, quando a esposa disse que era hora de pensar em um imóvel, Diogo fez as contas do que tinha guardado e chegou a uma conclusão inesperada: dava para pagar a casa dos sonhos vendendo as cartas.
“Troquei uma coisa por outra”, ele resume, sem melodrama. “Nunca esperava isso.”
Diogo é co-criador da LigaMagic e um dos organizadores da LigaFest — o maior festival de TCG da América Latina. E essa história, que poderia ser história de colecionador sortudo, é na verdade o resumo perfeito do que aconteceu com o mercado de cartas colecionáveis no Brasil nos últimos anos: de hobby de nicho a ativo financeiro, com ecossistema profissional e números que surpreendem quem olha de fora.
O mercado global de Trading Card Games (TCG) estava avaliado em US$ 8,4 bilhões em 2025 e a projeção é dobrar esse valor até 2035, chegando a US$ 16,9 bilhões com crescimento anual de quase 7%. Mas nenhum número ilustra o aquecimento do setor melhor do que o desempenho de Magic: The Gathering no ano passado: a franquia gerou US$ 1,7 bilhão de receita em 2025 — um crescimento de 59% em relação ao ano anterior — e foi o principal motor para a Hasbro fechar o ano com US$ 4,7 bilhões de faturamento total.
No quarto trimestre de 2025, impulsionado pelos lançamentos de Avatar: The Last Airbender e Final Fantasy, Magic cresceu 141% em relação ao mesmo período de 2024.
E o Brasil está no centro disso. O país responde por mais de 60% de todas as transações de TCG na América Latina — uma participação desproporcional que tem uma explicação clara.
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