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Julia Monteiro
Julia Monteiro
Inteligencia Artificial · · 2 min de leitura ·

Novo robô é inspirado em truques sensoriais de formigas e não precisa usar GPS

Novo robô é inspirado em truques sensoriais de formigas e não precisa usar GPS

O que você precisa saber

Na quarta-feira, 13, a revista científica Science Robotics publicou um estudo sobre a criação de um robô inspirado nas habilidades de locomoção de formigas. Chamada de “AntBot”, a máquina com seis “patas” e 22,8cm foi inventada por Julien Dupeyroux, Julien R. Serres e Stéphane Violle, pesquisadores franceses da Universidade de Aix-Marseille. O dispositivo foi impresso em 3D, usa um Raspberry Pi (microcomputador do tamanho de um cartão) e é completamente autônomo.

Robôs que têm insetos ou aracnídeos como base não são novidade. Com pernas, diferentemente daqueles que usam rodas, esses dispositivos atravessam lugares difíceis com mais facilidade. A inspiração para o design e o funcionamento do AntBot veio das formigas do deserto — mais especificamente a Cataglyphis fortis, do Saara, e a Melophorus bagoti, da Austrália Central.

Dupeyroux, que é doutorando em biorrobótica e autor principal do estudo, explica por que as formigas do deserto foram escolhidas. Segundo ele, como não podem usar o olfato (método tradicional de direcionamento do inseto) para encontrar destinos, elas usam outros truques: a luz do sol, a velocidade em que o solo se move e a consciência do tempo decorrido são alguns deles. Os cientistas chamam essa habilidade de integração por caminhos. Quando é feita por pessoas, a técnica é conhecida como navegação estimada.

Os olhos compostos das formigas, por exemplo, têm fotorreceptores que captam a luz ultravioleta do sol (que se polariza por moléculas de ar dispersas) e cujo padrão muda conforme a posição do astro. As formigas do deserto seguem esse guia solar, o que cria uma espécie de bússola interna que permite determinar onde se encontram.

Com seus olhos, elas também podem rastrear a velocidade com que o solo parece se mover, o que é conhecido como fluxo óptico. Isso, em conjunto com a consciência das formigas de quantos passos deram em uma caminhada, permite que elas consigam estimar a distância que percorreram.

A partir desses truques, Dupeyroux e sua equipe criaram o AntBot. Para testá-lo, os pesquisadores o enviaram para navegar aleatoriamente por algum tempo em ambientes variados. Ao determinarem que ele voltasse ao ponto inicial, o AntBot foi bom o suficiente para encontrar o caminho mais rápido de volta usando apenas uma ou duas habilidades das formigas. Quando os três fatores foram combinados, ele foi quase impecável.

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