Sistema inspirado no cérebro humano consegue provar que não é um robô

O que você precisa saber
Um grupo de pesquisadores da Califórnia, nos Estados Unidos, publicou ontem um estudo que descreve uma inteligência artificial que eles criaram inspirada no córtex visual – uma parte do cérebro – de humanos. Graças a essa inspiração, o sistema é capaz de resolver com facilidade os testes CAPTCHA da internet – aquelas pequenas interações que pedem que o usuário prove que “não é um robô”.
Trata-se, segundo os cientistas, de um novo modelo de inteligência artificial, que eles chamaram de Recursive Cortical Network (rede cortical recursiva), ou RCN. A principal vantagem dela é que ela não só consegue aprender a derrotar os testes CAPTCHA como consegue também aprender a fazer isso com muito menos treinamento do que os sistemas tradicionais de inteligência artificial.
O córtex visual é a parte do cérebro que traduz as linhas, cores e texturas que observamos em objetos que fazem sentido. Grupos diferentes de neurônios são responsáveis por reconhecer as linhas e as superfícies. Esses neurônios “conversam” entre si para entender quais linhas e quais superfícies compõem um objeto.
Como nosso cérebro reconhece os objetos com base nas partes que o compõem, nós conseguimos reconhecer esses objetos mesmo que eles estejam levemente borrados, de trás para frente ou de ponta-cabeça. As inteligências artificiais, normalmente, não têm essa capacidade. Elas são ensinadas a identificar os objetos por inteiro. Por isso, se elas vêem a letra “A” de ponta-cabeça, não conseguem interpretá-la; no máximo, elas pensam que é um “V” com um traço no meio.
Para contornar esse problema, os pesquisadores criaram um sistema semelhante ao do nosso córtex visual. Um conjunto de comandos identifica os contornos de uma imagem; outro foca nas superfícies da imagem. Em seguida, os contornos e superfícies são agrupados segundo sua proximidade física. O sistema então compara esses grupos com diversas outras imagens que já viu, e com base nisso consegue identificar cada objeto – mesmo que ele esteja alterado de qualquer maneira.
Uma vez criado o sistema, os pesquisadores treinaram-no a reconhecer as letras do alfabeto na fonte Georgia. Essa fonte foi escolhida por ser relativamente parecida com a maioria das fontes usadas em testes CAPTCHA. Eles mostraram então 260 imagens de caracteres individuais naquela fonte ao sistema para treiná-lo. Na sequência, os pesquisadores mostraram à máquina letras giradas parcialmente, para ver se ela tinha de fato aprendido.
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