
Uma rede digital chamada 764 entrou no radar de autoridades após casos envolvendo adolescentes submetidos a chantagens, violência e automutilação. O grupo faz parte de comunidades online que exploram vulnerabilidades para controlar jovens.
A investigação revela um fenômeno que mistura jogos, redes sociais e manipulação psicológica, com casos registrados em diferentes países.

Jogos e chats viram porta de entrada para vítimas
Segundo o The Guardian, grupos ligados à 764 costumam buscar adolescentes em plataformas populares, como Roblox e Minecraft, além de comunidades relacionadas à saúde mental e identidade sexual.
A aproximação começa com conversas e pode evoluir para ameaças, exigências e pressão para produzir conteúdos violentos ou degradantes. Esses registros, segundo investigadores, também serviriam para dar status aos participantes dentro das comunidades.
Criada pelo americano Bradley Cadenhead quando ele tinha apenas 15 anos, a 764 ganhou notoriedade após investigações internacionais. O fundador cumpre uma pena de 80 anos nos Estados Unidos por posse de material de abuso sexual infantil.
O especialista Bjørn Ihler, fundador da empresa de segurança Revontulet, resume o perfil do fenômeno: “Estes são jovens recrutando outros jovens”.
Entre os sinais observados por especialistas estão:
- Mudanças repentinas de comportamento;
- Isolamento de familiares e amigos;
- Segredo sobre atividades na internet;
- Indícios de automutilação.

Casos expõem alcance internacional da rede
Um dos episódios que chamou atenção ocorreu no fim de 2024, na Suécia. Um adolescente de 14 anos atacou um homem idoso em uma área residencial de Estocolmo, e o vídeo da agressão foi compartilhado rapidamente na internet.
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Durante a investigação, surgiu o nome de usuário “Chai”, relacionado a outro caso envolvendo suposta coerção contra adolescentes. O jovem é acusado de mais de 70 crimes, incluindo incentivo à automutilação e criação de material de abuso sexual infantil. A defesa nega as acusações.
A promotora sueca Jenny Östling afirmou que o processo pode estabelecer novos limites sobre a responsabilidade de pessoas que pressionam outras vítimas remotamente.
“Eles têm um objetivo para o próprio grupo: destruir o mundo… Mas os membros também têm um objetivo pessoal: querem ganhar status dentro do grupo”, afirmou.
Pesquisadores identificaram ao menos 295 prisões relacionadas ao chamado “Com”, rede mais ampla que reúne comunidades envolvidas em crimes digitais, extorsão e violência em 33 países.

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