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Internet e Redes Sociais · 8 de setembro de 2026 · 3 min de leitura ·

Austrália quer proibir feed recomendado em redes sociais

Austrália quer proibir feed recomendado em redes sociais

Inteligência artificial

A Austrália quer mudar a forma como as pessoas recebem conteúdo nas redes sociais. O governo propôs regras que dariam aos usuários a escolha entre manter feeds com recomendações personalizadas por algoritmos ou visualizar apenas publicações de amigos e criadores que decidiram seguir.

A iniciativa é mais um passo na política australiana de segurança online, depois da proibição de redes sociais para crianças. As plataformas terão de informar os usuários sobre as opções e poderão ser multadas em até A$ 109,2 milhões (cerca de R$ 442 milhões) se descumprirem as regras.

Mulher assistindo vídeo no TikTok
Usuários poderão optar por um feed sem recomendações algorítmicas, seguindo apenas contas escolhidas. – Imagem: Kaspars Grinvalds/Shutterstock

Como funcionará a mudança

Chamada de “My Feed, My Way”, a proposta obriga as redes sociais a oferecer uma alternativa ao feed baseado em recomendações algorítmicas.

O usuário poderá manter a experiência atual, recebendo conteúdos selecionados automaticamente de acordo com seus interesses e comportamento. Também terá a opção de desligar esse sistema e acompanhar somente as publicações das contas que escolheu seguir.

A iniciativa segue uma direção semelhante à adotada pela União Europeia. Desde 2024, o Digital Services Act determina que as plataformas ofereçam aos usuários a possibilidade de desativar o perfilamento.

Algoritmos sob pressão

A discussão acontece enquanto redes sociais enfrentam críticas sobre a maneira como seus algoritmos selecionam conteúdos. Uma das preocupações é que as recomendações estimulem um uso prolongado das plataformas, conduzindo as pessoas de uma publicação para outra com base no que já despertou seu interesse.

O primeiro-ministro australiano Anthony Albanese defendeu a proposta e disse que ela também servirá para pressionar as empresas de tecnologia a cumprir a legislação.

“É uma reforma sensata, pragmática e prática”, afirmou Albanese a jornalistas.

As empresas também terão de registrar as medidas tomadas para enfrentar riscos identificados aos usuários e acompanhar se essas ações continuam funcionando.

Entre as principais exigências estão:

  • Informar os usuários sobre o funcionamento do feed;
  • Permitir a desativação das recomendações algorítmicas;
  • Oferecer um feed baseado nas contas escolhidas pelo usuário;
  • Documentar medidas para reduzir riscos aos usuários;
  • Cumprir as regras sob pena de multas.
Smartphone nas mãos de uma pessoa; na tela, ícones de redes sociais
Batizada de My Feed, My Way, a iniciativa obriga empresas a notificarem claramente como funciona o feed padrão. – Imagem: Tada Images/Shutterstock

eSafety ganha novos poderes

A fiscalização ficará nas mãos da eSafety, autoridade australiana responsável pela segurança na internet. O órgão também poderá exigir que grandes plataformas removam rapidamente conteúdos prejudiciais, relacionados à nudez ou ilegais.

Leia mais:

A proposta já preocupa defensores da liberdade de expressão, que temem que os novos poderes acabem sendo usados para ampliar a censura.

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