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Internet e Redes Sociais · 15 de dezembro de 2025 · 3 min de leitura ·

Brasileiros estão falando menos de política em grupos de WhatsApp

Brasileiros estão falando menos de política em grupos de WhatsApp

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Os dados fazem parte do estudo Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens, divulgado nesta segunda-feira (15). O levantamento foi realizado pelo InternetLab e pela Rede Conhecimento Social, duas instituições independentes e sem fins lucrativos que pesquisam o impacto das tecnologias digitais na sociedade.

Menos política em grupos cotidianos

Apenas 6% dos entrevistados afirmaram participar de grupos voltados a debates de política, percentual inferior ao registrado em 2020, quando esse número era de 10%. O levantamento indica que grupos com essa finalidade são mais comuns entre pessoas com posicionamento político mais definido e em regiões como Norte e Nordeste, mas ainda assim representam uma parcela pequena do total.

Entre 2021 e 2024, caiu a proporção de pessoas que dizem ver mensagens sobre política, políticos ou governo nesses grupos. Nos grupos de família, o índice passou de 34% para 27%. Nos grupos de amigos, a queda foi de 38% para 24%, enquanto nos grupos de trabalho o percentual recuou de 16% para 11%.

Medo de conflito e ambiente agressivo

O estudo indica que a diminuição das conversas políticas está diretamente relacionada ao clima percebido nos grupos. Cerca de 56% dos entrevistados dizem ter medo de emitir opinião política porque consideram o ambiente “muito agressivo”.

Esse sentimento aparece de forma transversal entre diferentes perfis ideológicos. O receio foi relatado por 63% dos que se identificam como de esquerda, 66% dos de centro e 61% dos de direita, sugerindo um desconforto generalizado com o tom das discussões. Segundo a pesquisa, a percepção de agressividade está associada à experiência acumulada desde o período eleitoral de 2018, apontado como um marco de mudança no comportamento dos usuários.

Autorregulação nos grupos

De acordo com os autores do levantamento, esse comportamento de contenção se consolidou ao longo do tempo. Cerca de 52% dos participantes afirmam que se policiam cada vez mais sobre o que dizem nos grupos, enquanto 50% evitam falar de política no grupo da família para fugir de brigas.

Mesmo com essa autorregulação, 65% dizem evitar compartilhar mensagens que possam atacar valores de outras pessoas. Ainda assim, o desconforto leva a rupturas: 29% já saíram de grupos por não se sentirem à vontade para expressar opiniões políticas. Em muitos casos, mensagens com conteúdo político continuam sendo enviadas, mas passam a ser ignoradas como forma de evitar confronto direto.

Quem ainda se posiciona?

Apesar do cenário de cautela, o estudo aponta que uma parcela dos usuários segue disposta a se manifestar. Doze por cento compartilham conteúdos que consideram importantes, mesmo sabendo que isso pode gerar desconforto em algum grupo. Outros 18% dizem dividir suas opiniões mesmo quando elas podem parecer ofensivas para parte dos participantes.

Logo do app do WhatsApp na tela de um smartphone que está em cima de um teclado de notebook
Apesar de muitos evitarem, uma porção dos brasileiros ainda se manifesta sobre política no mensageiro da Meta (Imagem: miss.cabul / Shutterstock.com) – Imagem: miss.cabul / Shutterstock

A pesquisa também mostra que 27% admitem enviar conteúdos com a intenção de provocar quem pensa diferente, enquanto 63% afirmam usar mensagens de humor como alternativa para falar de política sem gerar brigas, evidenciando abordagens distintas diante do mesmo tema.

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Pesquisa e contexto

As informações foram coletadas online com 3.113 pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, entre 20 de novembro e 10 de dezembro de 2024. O estudo é realizado anualmente desde o fim de 2020.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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