
Problemas na conexão Wi-Fi nem sempre são causados pela operadora de internet ou pelo roteador. Objetos comuns encontrados dentro de casa, como micro-ondas, aquários, espelhos e até condições climáticas extremas, podem interferir na qualidade do sinal sem fio.
Quem explica esses fatores à BBC é Alex Hills, um dos pioneiros da tecnologia Wi-Fi. Em 1993, quando era professor da Universidade Carnegie Mellon (EUA), ele liderou a equipe responsável por construir uma das primeiras grandes redes Wi-Fi do mundo.
Hills reuniu essa experiência no livro “Wi-Fi and the Bad Boys of Radio” (“Wi-Fi e os Vilões do Rádio”, em tradução livre). No título, os chamados “Bad Boys” não são uma referência aos pesquisadores que participaram do projeto, mas aos diversos objetos e fenômenos que prejudicam o funcionamento das redes sem fio.
Segundo ele, identificar essas fontes de interferência pode ajudar a melhorar a qualidade da conexão e compreender melhor como funciona uma das tecnologias mais utilizadas no cotidiano.
Micro-ondas podem interferir no wi-fi
Um dos exemplos mais conhecidos é o forno de micro-ondas. Durante 17 anos, astrônomos na Austrália tentaram descobrir a origem de misteriosos sinais de rádio captados por um telescópio. Algumas hipóteses envolviam erupções solares e até a possibilidade de origem extraterrestre.
Posteriormente, descobriu-se que as rajadas de energia vinham simplesmente do forno de micro-ondas utilizado no escritório durante o horário de almoço.
O mesmo princípio pode afetar redes Wi-Fi. As conexões sem fio transmitem dados por meio de ondas de rádio. Embora grande parte do espectro de frequências seja destinada a serviços específicos, como forças de segurança, controle de tráfego aéreo e emissoras de rádio, algumas faixas podem ser utilizadas livremente.
Uma delas é a frequência de 2,4 gigahertz (GHz), bastante usada por redes Wi-Fi e dispositivos Bluetooth. Coincidentemente, essa também é a frequência empregada pelos fornos de micro-ondas para aquecer alimentos.
Embora esses aparelhos sejam blindados para impedir o escape das ondas, Hills explica que equipamentos antigos, danificados ou mesmo a abertura da porta antes do fim do aquecimento podem provocar interferências. “É uma das fontes de interferência mais importantes de que as pessoas costumam falar”, afirma.
Segundo ele, fenômenos semelhantes podem ocorrer com frequências emitidas por lâmpadas fluorescentes ou sistemas de ignição de automóveis.
Hills observa, porém, que os micro-ondas representam hoje um problema menor do que no passado. Os aparelhos modernos são melhor protegidos, e muitas redes já operam na frequência de 5 GHz, reduzindo a possibilidade de interferência. Ainda assim, um roteador antigo combinado com um micro-ondas bastante utilizado pode prejudicar temporariamente a conexão.

Aquários podem enfraquecer o sinal
Outro obstáculo pouco conhecido são os aquários. “Um sinal de rádio naturalmente perde intensidade com a distância”, explica Hills. “Mas, às vezes, ele atravessa um objeto que enfraquece o sinal. Chamamos isso de ‘sombreamento’.”
A água representa um desafio para as ondas de rádio porque suas moléculas podem atuar como pequenos ímãs que absorvem parte da energia do sinal. Dessa forma, um aquário posicionado entre o roteador e o dispositivo conectado pode criar áreas com cobertura reduzida. Segundo Hills, o chamado sombreamento é o principal problema enfrentado pelas redes Wi-Fi.
Além dos aquários, paredes de tijolo e concreto também dificultam significativamente a propagação do sinal, enquanto materiais como madeira e drywall oferecem menos resistência. “Pense em uma linha reta entre o roteador e o aparelho que você quer conectar”, recomenda.
Embora o sinal consiga se espalhar pelo ambiente e encontrar caminhos alternativos, quanto maior o número de obstáculos, pior tende a ser a qualidade da conexão.
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